Recentemente e circulou nas redes sociais e em alguns órgãos de comunicação social a declaração de Joaquim Catinda, Presidente da Comissão Executiva (PCE) do Kixicrédito, segundo a qual “84% dos angolanos estão excluídos de qualquer forma de crédito”.
A afirmação surgiu num contexto em que se discutem os avanços e os desafios na concessão de microcrédito em Angola, tendo o gestor sublinhado que, apesar de haver melhorias, ainda há um número muito elevado de cidadãos sem qualquer acesso a produtos de crédito.
Perante a relevância do tema — e o seu impacto directo na vida económica de milhões de angolanos —, a equipa do Verifica.ao decidiu analisar a veracidade desta afirmação.
Desenvolvimento: o que dizem os dados oficiais?
Para esta verificação, foram analisadas várias fontes credíveis, incluindo relatórios nacionais e internacionais sobre inclusão financeira em Angola, com destaque para os seguintes documentos:
FinScope Angola 2022
Este é um inquérito nacional encomendado pelo Banco Nacional de Angola (BNA), com o objectivo de medir o nível de inclusão financeira no país. Os resultados mostram que:
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53% dos adultos angolanos estão financeiramente excluídos, ou seja, não utilizam nenhum produto ou serviço financeiro formal nem informal;
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88% dos adultos não obtêm crédito de nenhuma forma;
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Apenas 13% recorrem a crédito informal (familiares, amigos ou agiotas);
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E somente 2,1% dos adultos têm acesso a crédito através de instituições financeiras formais.
Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF) – 2024
Este documento, actualmente em consulta pública, baseia-se nos dados do Observatório de Inclusão Financeira e actualiza o retrato nacional:
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51% da população adulta continua excluída financeiramente;
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No que toca ao crédito, os números mantêm-se consistentes com o FinScope: ~88% dos adultos sem qualquer acesso a crédito, e apenas ~2,1% com crédito formal.

Global Findex – Banco Mundial (edições 2021 e 2025)
Este é o principal barómetro internacional de inclusão financeira. A edição de 2021 (que abrangeu o período da pandemia) e a mais recente de 2025 confirmam que Angola continua a apresentar níveis muito baixos de acesso ao crédito formal, com indicadores alinhados com os dados nacionais. Até à data desta verificação, não há dados que contrariem ou corrijam os números apresentados pelo FinScope e pela ENIF.
Verificação: a afirmação é VERDADEIRA
Com base nas fontes analisadas, a equipa do Verifica.ao conclui que a declaração de Joaquim Catinda — “84% dos angolanos estão excluídos de qualquer forma de crédito” — é VERDADEIRA.
Os dados oficiais e credíveis indicam que entre 84% e 88% dos adultos em Angola não têm qualquer tipo de crédito, seja formal ou informal, sendo que apenas uma minoria recorre a instituições financeiras. Portanto, o valor de 84% mencionado pelo PCE do Kixicrédito está dentro da margem realística e é sustentado por evidência estatística fiável.
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