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Vídeo de mulher acorrentada e torturada aconteceu em Angola

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Nos últimos dias, voltou a circular nas redes sociais e em vários grupos do WhatsApp um vídeo chocante que mostra uma mulher acorrentada, visivelmente debilitada e a ser agredida enquanto implora por ajuda.

A publicação tem sido partilhada com a alegação de que o caso ocorreu recentemente em Angola, levando vários internautas a apelarem à intervenção da Polícia Nacional para identificar e deter os responsáveis.

Perante a ampla divulgação do vídeo, a equipa do Verifica.ao investigou a sua origem e concluiu que a alegação é falsa.

O que apurou o Verifica.ao?

A gravação não foi feita em Angola e também não corresponde a um caso recente.

As imagens dizem respeito ao sequestro de Fazila Amade, ocorrido em setembro de 2025, no distrito de Marracuene, província de Maputo, em Moçambique.

Fazila Amade, esposa de um empresário residente em Moçambique, foi raptada por um grupo criminoso que exigia o pagamento de um elevado resgate.

Durante o cativeiro, os sequestradores gravaram vários vídeos onde a vítima aparece acorrentada, agredida física e psicologicamente e obrigada a pedir ajuda aos familiares para que pagassem o valor exigido.

Num dos vídeos, Fazila surge apenas de calças, com o tronco exposto e presa por correntes. Noutras imagens, aparece amordaçada, com sinais evidentes de violência e ferimentos.

As gravações foram utilizadas como instrumento de pressão psicológica para forçar a família a efectuar o pagamento do resgate.

Qual foi a motivação do sequestro?

Segundo informações divulgadas na época por órgãos de comunicação social moçambicanos e confirmadas por familiares da vítima, o rapto esteve relacionado com uma dívida contraída pelo marido de Fazila Amade.

Os sequestradores exigiam o pagamento integral da dívida, acrescida de juros, num valor que rondava os 20 milhões de meticais.

De acordo com os relatos conhecidos, a família, sob orientação das autoridades, chegou a negociar com os criminosos e efectuou um pagamento parcial. Ainda assim, a vítima permaneceu em cativeiro durante algum tempo.

O que disseram as autoridades?

Na altura, a STV Moçambique contactou o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), que confirmou a existência do caso e informou que as investigações decorriam em coordenação com a família da vítima.

O órgão explicou, contudo, que não poderia prestar mais esclarecimentos enquanto o processo estivesse em investigação.

O caso provocou forte indignação em Moçambique, originando manifestações de solidariedade e apelos de organizações da sociedade civil para uma resposta mais célere das autoridades.

Porque é que o vídeo voltou a circular?

A investigação do Verifica.ao permitiu constatar que o vídeo voltou a ser partilhado fora do seu contexto original, sendo apresentado como se retratasse um crime ocorrido recentemente em Angola.

Este é um dos métodos mais frequentes de desinformação nas redes sociais: a reutilização de conteúdos antigos para criar uma falsa impressão de actualidade.

Vídeos reais são frequentemente retirados do seu contexto temporal ou geográfico e republicados com descrições falsas, levando milhares de pessoas a acreditar que se tratam de acontecimentos recentes.

Este tipo de prática dificulta o trabalho das autoridades, gera alarme social desnecessário e contribui para a propagação de informações falsas.

Como evitar cair neste tipo de desinformação?

Antes de partilhar vídeos ou imagens com forte carga emocional, é importante verificar se a publicação identifica a data e o local do acontecimento, confirmar se o caso foi noticiado por órgãos de comunicação social credíveis, desconfiar de publicações que não apresentam qualquer fonte e recordar que muitos vídeos virais são antigos e apenas reaproveitados para gerar indignação e aumentar o número de partilhas.

Veredicto

FALSO

É falsa a alegação de que o vídeo mostra uma mulher torturada em Angola.

As imagens correspondem ao sequestro de Fazila Amade, ocorrido em setembro de 2025, no distrito de Marracuene, província de Maputo, em Moçambique. O vídeo voltou agora a circular nas redes sociais de forma descontextualizada, sendo apresentado como um caso recente ocorrido em território angolano, o que não corresponde aos factos.

Fique atento ao Verifica.ao

A circulação de vídeos antigos apresentados como acontecimentos recentes é uma das formas mais comuns de desinformação nas redes sociais. O Verifica.ao continuará a monitorizar este tipo de conteúdos para ajudar os cidadãos a distinguir factos de informações falsas. Antes de acreditar ou partilhar qualquer publicação, confirme sempre a sua origem. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que todos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.

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