Nos últimos dias circulou nas redes sociais e em várias plataformas informativas a alegação de que seis formações políticas da oposição angolana, nomeadamente a FNLA, PDP-ANA, PNSA, Renova Angola e PPA, estariam a preparar uma coligação política para concorrer às eleições gerais de 2027.
Segundo a alegação viral, os partidos já teriam deliberado a criação de grupos de trabalho encarregues da harmonização documental, com vista à submissão do processo junto do Tribunal Constitucional de Angola, garantindo conformidade com a Lei dos Partidos Políticos e a Lei Eleitoral.
A informação rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, alimentando debates sobre possíveis alianças no panorama político angolano.
Perante as dúvidas levantadas pelos internautas, a equipa do Verifica.ao investigou o caso e concluiu que a informação é falsa.
Renova Angola desmente oficialmente
Em nota oficial, o presidente do Renova Angola, Manuel Fernandes, veio a público desmentir categoricamente as informações postas a circular sobre a alegada criação de uma coligação envolvendo a sua formação política.
Segundo o dirigente, o comunicado viralizado não corresponde à verdade, não reflecte qualquer decisão oficial do partido e não possui validação dos órgãos competentes da organização política.
Manuel Fernandes esclareceu ainda que nenhuma decisão desta natureza pode ser tomada sem aprovação prévia dos órgãos deliberativos do partido.
“Enquanto dirigente do partido não podemos tomar nenhuma decisão sem a autorização prévia do órgão deliberativo do partido”, afirmou.
Não há confirmação oficial da alegada coligação
Até ao momento não existe qualquer anúncio oficial conjunto dos partidos mencionados, não há registo público de entrega formal de processo de coligação junto do Tribunal Constitucional e nem documentos oficiais autenticados que confirmem a criação da referida plataforma política.
As investigações da nossa redacção indicam que a informação circulou por especulação e sobretudo através de publicações em redes sociais e conteúdos partilhados sem confirmação institucional.
Debate político e desinformação
Durante a sua intervenção, Manuel Fernandes comentou também a recente aprovação da chamada lei contra informações falsas na internet, aprovada pela Assembleia Nacional de Angola.
O dirigente manifestou preocupação quanto à eventual utilização da legislação contra opositores políticos, activistas cívicos e órgãos de comunicação social críticos.
Segundo o político, trata-se de:
“uma lei cavilosa recheada de muitas ambiguidades”.
O responsável afirmou ainda que a necessidade de esclarecimento público surgiu precisamente devido à rápida disseminação de conteúdos falsos envolvendo o nome do partido.
Desinformação cresce em períodos politicamente sensíveis
O Verifica.ao alerta que períodos de forte movimentação política e pré-eleitoral tendem a aumentar significativamente a circulação de rumores, alianças falsas, documentos não confirmados e conteúdos manipulados nas redes sociais.
Muitas vezes, essas informações são partilhadas antes de qualquer confirmação oficial, contribuindo para confusão pública e polarização política.
Conclusão
É falsa a alegação de que seis partidos da oposição já tenham formalizado ou confirmado oficialmente uma coligação política para as eleições de 2027.
O partido Renova Angola desmentiu publicamente qualquer envolvimento numa decisão deste tipo e esclareceu que nenhuma deliberação foi tomada pelos órgãos competentes da formação política.
O Verifica.ao recomenda aos cidadãos que tenham especial atenção a conteúdos políticos virais publicados sem confirmação oficial, sobretudo em períodos de maior tensão eleitoral.
O combate à desinformação começa com a verificação dos factos. O Verifica.ao continua comprometido em garantir que os cidadãos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.
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