A falta de regulamentação é o maior desafio atual para combater a informação falsa, bem como a falta de pensamento crítico e de literacia mediática, segundo vários especialistas, académicos e jornalistas que discursavam no ‘workshop’ “Fake News: aceitação e correção de desinformação em contextos de interação social”.
Segundo os prelectores do evento organizado pelo ISPA (Instituto Universitário), em Lisboa, Portugal, “as redes sociais são criadas para gerar engajamento, pelo que a regulamentação é importante”. Para a académica da Universidade de Lisboa Amanda Seruti, os períodos eleitorais são mais propícios à desinformação devido ao maior financiamento para este tipo de campanhas em redes sociais e através de influenciadores digitais, por exemplo.
Já o académico do ISCTE – Instituo Universitário de Lisboa Tomás Alves referiu que “as redes sociais são ótimas para difundir mensagens rápidas”, sendo necessária uma “fiscalização mais eficaz para a criação de contas”, de forma a se poder identificar quem são os agentes bons ou maus.
Por sua vez, também a académica do ISCTE Rita Guerra salientou que tem de haver uma responsabilização do Estado e da União Europeia (UE) sobre o que as redes sociais podem fazer, dizendo que “as fontes que produzem as mensagens estão bem identificadas”, por isso se houver regulação a questão de distribuição pode ser melhor controlada.
O jornalista do jornal Público João Mestre, por seu turno, disse ser necessário um combate à desinformação “de um para um”, até porque comunicar para as massas já não funciona, referindo que a imprensa é agora um “supermercado” de informação.
Além disso, Rita Guerra afirmou ainda que existe “uma enorme falta de vontade política” para o desenvolvimento da literacia mediática, dizendo que “já existe espaço nos currículos de ensino para desenvolver esta matéria”, por exemplo em disciplinas como o português ou a cidadania.
O jornalista da agência Lusa João Pedro Fonseca também participou do debate, onde realçou a falta de orçamento para o desenvolvimento de literacia mediática, afirmando ser preciso “uma aposta política”, de forma a impulsionar também o espírito crítico.
Amanda Seruti concluiu dizendo que a literacia mediática é importante para dotar as pessoas de ferramentas para identificar narrativas de desinformativas, “quando uma informação causa grande emoção nos recetores, é sempre preciso estar muito alerta”, estando em causa o que chamou de responsabilidade individual.
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