Casa Artigos Discurso do Presidente da República na 17.ª Cimeira América-África: O que é e não é verdade
ArtigosNoticias

Discurso do Presidente da República na 17.ª Cimeira América-África: O que é e não é verdade

Compartilhar
Compartilhar

O Presidente da República e da União Africana, João Lourenço, fez hoje a abertura da 17.ª Cimeira de Negócios Estados da América-África, que decorre, em Luanda, no em que o país se prepara para celebrar os 50 anos de Independência Nacional.

Como é habitual, a equipa do Verifica.ao faz agora um “fact-cheking” em algumas afirmações do Presidente da República.

  1. “Economia angolana voltou a crescer de forma consistente a uma taxa de 3,5% no primeiro trimestre deste ano”

Veredito: ✅ Verdadeiro

A informação de que a economia angolana cresceu 3,5 % no primeiro trimestre (Q1) de 2025 está correta e confirmada por fontes credíveis.

O site Trading Economics, com base no Instituto Nacional de Estatística de Angola, relata que o PIB real cresceu 3,50 % no –Q1 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior, acelerando em relação aos 2,6 % do trimestre anterior.

A FocusEconomics também confirma: “expandindo 3,5 % ano a ano no Q1”, e destaca que o crescimento trimestral foi de 2,3 % em termos ajustados sazonalmente.

Vários portais internacionais — Trading Economics em versões italiana e espanhola — reiteram esse valor e explicam que o impulso veio principalmente da extração de minerais (diamantes) e de setores como telecomunicações, comércio e serviços públicos, apesar da queda na produção petrolífera.

Importante notar ainda alguns factores, que destacamos abaixo:

  • Esses números referem-se ao crescimento anual do PIB no primeiro trimestre, ou seja, comparando o Q1 de 2025 com o Q1 de 2024.

  • Em termos trimestrais (Q1 2025 em relação ao Q4 2024), houve um crescimento de cerca de 2,3 %

Enquanto as previsões anuais completas para 2025 variam — por exemplo, o FMI estima 2,4 % — a cifra de 3,5 % no crescimento anual do primeiro trimestre é sólida e amplamente corroborada.

 

2. “70% da população africana está abaixo dos 30 anos”

Veredito: ✅ Verdadeiro

Segundo as nossas pesquisas, podemos ver que a afirmação de que 70% da população africana tem menos de 30 anos corresponde a estimativas amplamente reconhecidas, embora as faixas etárias estudadas variem ligeiramente conforme a fonte.

The Guardian reportou:

“Africa is a young continent – 70 % of the population is under the age of 30”

Essas reportagens citam relatórios do UN e do Economist Intelligence Unit, indicando que cerca de 70% dos africanos têm menos de 30 anos.

UN / World Bank / AFD:

  • Estimativas da UN e World Bank indicam que aproximadamente 60% da população tem menos de 25 anos.

  • Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) menciona que “mais da metade” da população chave (≤ 25 anos) e cita 60% abaixo dos 25 ano.

A declaração de que 70% da população africana tem menos de 30 anos está consistente com fontes confiáveis, especialmente relatórios do UN, World Bank, Guardian e EIU.

As estimativas variam ligeiramente — algumas focam em menores de 25 anos (~60%), outras estendem até os 30 (~70%) — mas o consenso é que a população africana é extremamente jovem.

3. “Os Estados Unidos da América nunca estiveram envolvido na colonização dos países africanos”.

Veredito: ✅ Verdadeiro mas com Contexto.

Os Estados Unidos não foram uma potência colonial em África de forma comparável a países como Grã‑Bretanha, França, Bélgica ou Portugal — não ocuparam territórios africanos com domínio direto e exploração oficial no período do “scramble for Africa”. No entanto, estiveram envolvidos em uma iniciativa colonizadora no século XIX, relacionada à criação da moderna Libéria.

1. Fundação da Libéria pela American Colonization Society (ACS)

Em 1816 foi criada a ACS, apoiada por figuras proeminentes como Henry Clay, Daniel Webster e até o presidente James Monroe, com o objetivo de enviar libertos afro‑americanos para a costa africana.

Em 1820, o grupo enviou os primeiros colonos ao que viria a ser Monróvia, estabelecendo um assentamento que cresceu em tamanho, incorporando outros desde grupos estaduais (Kentucky‑in‑Africa, Mississippi‑in‑Africa, Maryland Colonization Society etc.).

Entre 1822 e 1847, chegaram cerca de 14 000 afro‑americanos — muitos enfrentando condições adversas, doenças e conflitos com populações locais.

Esses colonos, apelidados de “Americo‑Liberianos”, estruturaram uma elite dominadora que excluiu a maioria indígena de direitos e poder político até o século XX. O interventor ACS chegou até a usar força — inclusive com apoio da Marinha Americana e locais coação — para adquirir terras e resistir aos ataques indígenas. Liberia declarou independência em 1847, mas os EUA só reconheceram oficialmente em 1862, durante a Guerra Civil.

Esse projeto foi um tipo de colonização de expansão de uma sociedade americana negra — distinta da colonização europeia, mas ainda assim impôs controle cultural, político e territorial sobre povos africanos locais.

Durante o “scramble for Africa”, os EUA não adquiriram colônias nem disputaram territórios com potências europeias.

Então, não houve colonização direta dos EUA como ocorreu com as potências europeias.

Houve, sim, um projeto significativo de colonização: a fundação da Libéria pelo ACS, uma tentativa de criar uma república africana para libertos americanos — com impactos profundos sobre populações locais.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos Relacionados
Noticias

UNITA classifica lei contra fake news como “retrocesso democrático”

O deputado da UNITA e Secretário-geral da JURA, Nelito Ekuikui, manifestou, esta...

Noticias

Assembleia Nacional aprova na generalidade Lei contra as “Fake News”

Com 97 votos a favor, 74 contra e três abstenções foi aprovada...

ArtigosSociedade

[Vídeo] Influenciador Nuno Baio promete ganhos fáceis em plataforma

Circula nas redes sociais um vídeo atribuído ao influenciador digital Nuno Baio,...