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Investigadora acredita ter solução para combater desinformação

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A investigadora portuguesa do Instituto Superior Técnico (IST) Sofia Pinto defende que uma personalização dos conteúdos pode ser eficaz no combate à desinformação, sobretudo nas gerações mais jovens, onde os mecanismos tradicionais se revelam pouco eficazes.

Sofia Pinto tem-se dedicado ao estudo da desinformação e da Inteligência Artificial (IA) e começa por alertar que é cada vez mais “complicado fazer a distinção entre o verdadeiro e o falso, porque há muitos atores de desinformação e porque existem as redes sociais a espalhar muito rapidamente narrativas enganadoras“.

Nesta perspetiva, a investigadora afirma que “há um caos imenso para o público em geral”.

“Muita gente vive nas suas trincheiras muito contente e cada vez há menos a capacidade de ouvir o outro lado, uma falta de capacidade das pessoas ouvirem e falarem com os outros”, o que facilita a assimilação de informação falsa ou enganadora, explica.

Além disso, as gerações mais novas estão muito “alienadas da forma tradicional de ir verificar se uma notícia é verdadeira ou falsa”.

Deste modo, a investigadora alerta para a necessidade de adaptar os atuais mecanismos de combate à desinformação para os jovens, defendendo “uma personalização, pois a linguagem das gerações de hoje não é a mesma das gerações mais velhas”.

“Há um salto grande, eles vivem num mundo entre o real e muitos mundos paralelos”, pelo que é importante criar novas formas de chegar a estes jovens, experimentando novos formatos e linguagens, uma vez que os mecanismos tradicionais revelam-se pouco eficazes nesta matéria.

Contudo, Sofia Pinto realça a necessidade de manter o rigor e a credibilidade da informação que será transmitida para não se deturpar a realidade e formar-se, assim, mais um agente de desinformação. “Há uma barreira muito subtil entre estes dois aspetos”, defende.

Apesar da importância que a investigadora reconhece à IA, enquanto ferramenta facilitadora do combate da desinformação, Sofia Pinto também afirma que a tecnologia tem impactos negativos, por exemplo na educação, pelo que salienta a importância da literacia mediática e espírito crítico.

“Verifica-se que os alunos que só usam o ‘chat’ e copiam as respostas que são geradas não adquirem um pensamento profundo naquela resposta, eles nem se lembram da resposta que deram, alguns nem a leram. Supondo que leram, nem sequer memorizam”, explica.

Um recente estudo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, sigla em inglês), comprova que o uso prolongado de ferramentas de IA pode gerar uma “dívida cognitiva”, com consequências prejudiciais para a memória, criatividade e pensamento crítico.

“Embora estes sistemas reduzam a carga cognitiva imediata, podem simultaneamente diminuir as capacidades de pensamento crítico e conduzir a um menor envolvimento em processos analíticos profundos”, um fenómeno especialmente preocupante em contexto educativo, onde o desenvolvimento de competências cognitivas sólidas é fundamental, refere o documento.

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