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Donald Trump: “Paracetamol na gravidez é a causa do aumento dos casos de autismo”

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Numa conferência de imprensa na Sala Oval na Casa Branca, o Presidente dos Estados Unidos da América Donald Trump alegou que “o uso de paracetamol (comumente conhecido como Tylenol, nos Estados Unidos da América) durante a gravidez pode estar associado a um grande risco de autismo”.
Segundo o presidente dos EUA, a toma deste medicamento na gravidez é o motivo do aumento do número de casos de autismo. Por isso, recomenda que as grávidas não tomem paracetamol, a não ser “em casos de febre extremamente alta”, que não se consiga suportar.

Foi ainda revelado que se vai passar a receitar leucovorina (ácido folínico) em casos de autismo, devido aos seus supostos “potenciais benefícios na redução de alguns sintomas” da doença. Existe evidência científica que corrobora as alegações de Trump?

A equipa do Verifica.ao investigou e a informação é falsa.

A ciência não confirma que o paracetamol provoque autismo.

  • Há estudos observacionais que encontraram associações estatísticas entre o uso pré-natal de paracetamol e maior risco de perturbações do neurodesenvolvimento.

  • No entanto, investigações mais robustas — incluindo análises comparando irmãos expostos e não expostos — não encontraram evidência de causalidade.

Agências de saúde internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a FDA (EUA) e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) reforçam que não há prova conclusiva de que o paracetamol aumente o risco de autismo. O medicamento continua a ser considerado seguro durante a gravidez, quando usado de acordo com orientação médica.

Quanto à leucovorina, existem ensaios clínicos que indicam benefícios em subgrupos específicos de crianças com alterações na via do folato. Contudo, não é um tratamento universal nem uma “cura” para o autismo.

Conclusão

A afirmação de Donald Trump de que o paracetamol na gravidez causa autismo é falsa. Não há qualquer evidência científica que suporte essa relação de causalidade.

Em comunicado oficial hoje(24), a Organização Mundial da Saúde declarou que não há evidência conclusiva estabelecendo ligação entre paracetamol na gravidez e autismo; a evidência é inconsistente.

O ACOG também fez um comunicado sobre as palavras do Presidente norte-americano, declarando as mesmas como falsas.

O que isto significa para grávidas / futuras mães (aconselhamento prático)

  • Não tome decisões drásticas por causa de declarações políticas: não interrompa um tratamento sem falar com o seu médico.

  • Se tiver febre alta na gravidez procure orientação médica: febre alta pode ser perigosa para a gestação e às vezes requer antipiréticos. As sociedades médicas costumam recomendar paracetamol como opção quando necessário, mas sempre na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível.

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