Circula nas redes sociais, em grupos de WhatsApp e em várias plataformas informativas a alegação de que o ex-oficial da CIA, Dale Bendler, teria confessado em julgamento que prestou serviços a políticos angolanos, arriscando-se a ser condenado a 24 meses de prisão por violar a lei norte-americana.
A informação ganhou destaque após uma edição do telejornal da TPA com o tema “Ex-Oficial da CIA – Dale Bendler prestou serviços a Higino Carneiro”, que citava como base um comunicado oficial do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ).
A equipa do Verifica.ao analisou os documentos oficiais e concluiu que esta alegação é falsa.
O que dizem os documentos oficiais
A consulta ao comunicado de imprensa do DOJ sobre a acusação e confissão de Dale Britt Bendler mostra que:
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O texto refere apenas “foreign national clients” (clientes estrangeiros) e tentativas de influenciar decisões de um “foreign government” e do próprio governo dos EUA em matérias de vistos.

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Não há qualquer referência a Angola nem a clientes angolanos no comunicado oficial.
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A nossa equipa também pesquisou os documentos judiciais do processo (plea agreement, statement of facts, criminal information). Embora os registos confirmem que esses documentos existem, as cópias completas não são públicas — mas também nelas, pelo que é acessível, não se encontra referência explícita a Angola.
O que foi encontrado mais tarde
Após a publicação inicial do DOJ (abril de 2025), surgiram:
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Entradas no registo FARA (Foreign Agents Registration Act) de 23 de Agosto de 2025, onde aparecem menções a Angola.
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Reportagens de investigação que ligam Bendler a actividades em África, incluindo contactos em Angola.
Contudo, estas referências são posteriores ao comunicado oficial do DOJ e não fazem parte dos documentos divulgados na altura do julgamento.
Conclusão
A alegação de que o Departamento de Justiça dos EUA confirmou em comunicado que Dale Bendler trabalhou para clientes angolanos é falsa.
O comunicado oficial não menciona Angola, limitando-se a falar de clientes estrangeiros sem identificar países específicos.
Informações posteriores, como registos no FARA e investigações jornalísticas, sugerem ligações de Bendler a Angola, mas estas não constam nos documentos do processo analisados pelo DOJ em abril de 2025.
O Verifica.ao alerta: tenha sempre cuidado com notícias que atribuem declarações oficiais a documentos que não as contêm. Confirmar a informação na fonte é essencial para não ser enganado. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que tem acesso a informação precisa, fiável e verificada.
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