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Expulsão da RTP do Palácio Presidencial é um atentado a liberdade de imprensa

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Recentemente, o Governo de Angola proibiu o acesso da RTP – Rádio e Televisão de Portugal – aos eventos no Palácio Presidencial. Segundo o comunicado oficial, a decisão foi motivada por alegadas “notícias tendenciosas” veiculadas pela emissora portuguesa.

Num comunicado oficial do Palácio Presidencial de Angola, datado de 15 de Abril de 2025, foi anunciado que o Governo decidiu dar por terminado o privilégio de acesso da RTP aos eventos que decorrem naquela instituição.

Por força de notícias tendenciosas que foram sendo veiculadas pela referida estação nos últimos tempos, o Governo soberano de Angola decidiu dar por findo o privilégio de acesso ao Palácio Presidencial”, lê-se na nota.

A nota acrescenta que o Estado angolano tem total autoridade para credenciar ou restringir o acesso de qualquer órgão de comunicação social ao Palácio Presidencial, comparando com práticas internacionais em que tal acesso também está sujeito a autorização prévia.

Liberdade de Imprensa em causa?

A decisão governamental tem sido alvo de críticas por parte de várias entidades, incluindo o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), que repudiou o acto, considerando-o um grave atentado à liberdade de imprensa.

A expulsão dos profissionais da RTP da sala de imprensa da Presidência da República, apesar de estarem devidamente credenciados, configura um gravíssimo atentado à liberdade de imprensa”, declarou o SJA.

A equipa do Verifica.ao analisou a alegação do SJA e confirma: a expulsão é um atentado a liberdade de imprensa.

Fundamento Constitucional

A Constituição da República de Angola garante a liberdade de imprensa no seu Artigo 44.º, onde se pode ler:

  1. “A liberdade de imprensa é garantida, não podendo ser sujeita a censura prévia, nomeadamente de natureza política, ideológica ou artística.”

  2. “O Estado assegura a expressão plural […] nos meios de comunicação social.”

  3. “O Estado assegura a existência e o funcionamento independente […] de um serviço público de rádio e televisão.”

Neste contexto, a decisão de revogar o acesso da RTP com base em conteúdo editorial pode ser interpretada como uma forma de censura indireta, contrariando os princípios constitucionais.

Casos internacionais semelhantes

A restrição ao trabalho da imprensa não é um fenómeno exclusivo de Angola. Vários países enfrentaram polémicas semelhantes:

Estes casos reforçam a ideia de que restringir o acesso da imprensa por motivos editoriais compromete a transparência e mina os valores democráticos.

Conclusão

A revogação do acesso da RTP aos eventos no Palácio Presidencial é uma decisão confirmada e verdadeira. Contudo, as suas implicações levantam sérias preocupações sobre a liberdade de imprensa em Angola, tal como consagrada na Constituição e nos tratados internacionais que o país subscreve.

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