ANTIGO: Anúncio de possível greve dos trabalhadores das indústrias de bebidas refere-se a Novembro de 2025

Circula novamente nas redes sociais e em grupos do WhatsApp um cartaz da plataforma digital XAA com o título “Trabalhadores das Indústrias de Bebidas ponderam entrar em greve no mês de Novembro”. A publicação tem partilhada nos últimos dias, levando alguns utilizadores a acreditar que os trabalhadores do sector poderão entrar em greve nos próximos dias.

No entanto, a informação divulgada no cartaz refere-se a um conflito laboral ocorrido em 2025, e não a uma nova paralisação anunciada para este ano.

A equipa do Verifica.ao investigou a publicação e confirmou que o anúncio é antigo. Notícias publicadas em Outubro e Novembro de 2025 pelos jornais OPAÍS, Novo Jornal e Angola24Horas documentam o processo de reivindicação salarial e a intenção dos trabalhadores de avançarem para uma greve entre os dias 17 e 19 de Novembro daquele ano.

O conflito envolveu principalmente trabalhadores do Grupo Castel Angola, ligado à produção e comercialização de bebidas, e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Indústrias de Bebidas e Similares de Angola (SNTIBSA).

A 27 de Outubro de 2025, o OPAÍS e o Novo Jornal noticiaram que mais de três mil trabalhadores do sector ponderavam entrar em greve, depois de não conseguirem chegar a um entendimento com as entidades patronais. O principal ponto de divergência estava relacionado com o aumento salarial. Os trabalhadores reivindicavam inicialmente um aumento de 28%, tendo posteriormente ajustado a proposta para 24%, enquanto, segundo o sindicato, a entidade patronal admitia negociar um aumento de 18%.

O sindicato considerava insuficiente a proposta patronal e defendia também melhorias nas condições laborais. A possibilidade de avançar para uma paralisação foi submetida à apreciação dos trabalhadores em assembleias.

A 31 de Outubro de 2025, após uma assembleia-geral, os trabalhadores confirmaram a intenção de realizar uma greve de três dias, marcada para 17, 18 e 19 de Novembro daquele ano. A paralisação deveria abranger 3.520 trabalhadores, distribuídos pelas províncias de Luanda, Benguela, Huíla, Cabinda e Huambo.

Entre as empresas mencionadas estavam a CUCA, a VIDROL e outras unidades do Grupo Castel. No caso da NOCAL, os trabalhadores decidiram não aderir à paralisação, optando por continuar a aguardar o desenvolvimento das negociações.

O caderno reivindicativo apresentado pelo sindicato continha 19 pontos. Entre as principais exigências estavam o aumento salarial de 24%, a manutenção dos direitos adquiridos, a revisão da grelha salarial e a actualização das tabelas remuneratórias. Os representantes dos trabalhadores exigiam ainda acesso a informações sobre os custos operacionais, mapas de produção e vendas, bem como relatórios contabilísticos e financeiros das empresas.

O sindicato denunciou também alegadas irregularidades laborais, incluindo diferenças salariais entre trabalhadores com funções e categorias semelhantes e situações de incumprimento dos contratos de trabalho, apontando particularmente para as empresas CUCA e VIDROL. Estas denúncias foram apresentadas pela representação sindical e não devem ser confundidas com factos independentemente comprovados.

Quanto à organização da paralisação, os trabalhadores anunciaram que seriam assegurados serviços mínimos em sectores considerados essenciais, como salas de máquinas, fermentação, laboratórios, postos médicos e áreas de higiene e segurança no trabalho.

A greve foi efectivamente realizada?

Apesar de a imprensa ter documentado o anúncio e a preparação da paralisação, a nossa investigação confirmou que o desfecho do conflito foi o cancelamento da greve, embora que não possível confirmar se os trabalhadores conseguiram o aumento salarial de 24% ou se aceitaram a proposta patronal de 18%, nem se as restantes reivindicações foram satisfeitas.

Por essa razão, o Verifica.ao afirma que a greve foi cancelada, onde a intenção de paralisação foi anunciada em Outubro de 2025 e estava prevista para os dias 17, 18 e 19 de Novembro desse mesmo ano mas não aconteceu.

Assim, o Verifica.ao classifica como ANTIGA a informação que está a circular nas redes sociais. O cartaz não anuncia uma nova greve para Novembro de 2026: reproduz uma notícia relacionada com um conflito laboral de 2025. A partilha da publicação sem a indicação do ano pode induzir os utilizadores em erro e criar a falsa impressão de que existe uma paralisação iminente.

Fique atento ao Verifica.ao. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que tenha acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas. Antes de partilhar notícias antigas, confirme sempre a data e o contexto em que foram originalmente divulgadas.

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