Analistas políticos em entrevista a rádio Correio da Kianda defendem o reforço da legislação sobre a comunicação digital e alertam para os desafios tecnológicos e políticos que Angola poderá enfrentar nas eleições gerais de 2027, com destaque para o combate à desinformação, à manipulação do discurso político e à falsificação de dados.
O analista político Alexandre Sebastião André considera que a evolução das novas tecnologias exige uma actualização das leis, de modo a acompanhar o impacto crescente das plataformas digitais nos processos políticos e eleitorais.
“É necessário, em princípio, entre nós, em qualquer parte do mundo, que a legislação acompanhe estes saltos altos que a comunicação realiza por via digital”, afirmou.
Alexandre Sebastião defende que a lei eleitoral deve prever mecanismos para prevenir a falsificação de dados, a divulgação indevida de resultados eleitorais e a manipulação dos discursos durante a campanha.
“No mundo político, o que precisamos é que, efectivamente, essa lei contemple a falsificação de dados, contemple também a não divulgação de resultados eleitorais antes ou depois, e que os discursos que vão ser tidos na campanha eleitoral sejam discursos não manipulados, sejam, portanto, discursos que correspondam à verdade”, sublinhou.
Por sua vez, o cientista político Eurico Gonçalves considera que o MPLA tem pela frente desafios relacionados com a preparação do XI Congresso, tendo em conta o calendário político e eleitoral do país.
Segundo o analista, o congresso deverá servir para avaliar o desempenho da actual liderança, renovar os membros do Comité Central e preparar a escolha do candidato do partido às eleições gerais de 2027.
Eurico Gonçalves entende que o partido precisa de acelerar a organização interna e reforçar a mobilização das suas estruturas de base, de modo a chegar ao próximo pleito eleitoral com maior preparação política e tecnológica.
“O MPLA não tem muito tempo a perder, nem sequer a sua própria máquina partidária tem tempo a perder, porque agora é o momento de organização, de dinamização e consolidação das bases sólidas para que o MPLA possa ir para as eleições mais preparado tecnologicamente, politicamente, eleitoralmente, com mais coesão”, afirmou.
O cientista político acrescentou que a preparação do partido deverá contribuir para melhorar o seu desempenho eleitoral, admitindo a possibilidade de alcançar um resultado favorável nas eleições gerais de 2027.
As declarações dos dois analistas colocam em evidência desafios distintos para o próximo ciclo eleitoral: a necessidade de garantir maior integridade da informação no espaço digital e a preparação das forças políticas para a disputa eleitoral.














