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Manuel Homem alerta para verificação de informações nas redes sociais em meio a rumores sobre eventual exoneração

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O ministro do Interior, Manuel Gomes da Conceição Homem, alertou os cidadãos para a necessidade de verificarem a autenticidade das informações antes de as partilharem nas redes sociais.

Num vídeo publicado na sua página do Facebook, o governante chamou a atenção para os riscos associados à circulação de conteúdos falsos ou manipulados, numa altura em que têm ganhado espaço nas redes sociais vídeos, áudios, fotografias e publicações que envolvem figuras públicas e governantes.

Manuel Homem defendeu que, antes de partilhar qualquer conteúdo, os utilizadores devem procurar confirmar a origem da informação, a data em que o acontecimento ocorreu e a existência de uma fonte credível que sustente a publicação.

“O mundo digital pode ser virtual, mas os danos provocados pela desinformação são muito reais”, afirmou o ministro.

Alerta surge num contexto de conteúdos manipulados com IA

O alerta ocorre num período marcado pela circulação de conteúdos produzidos ou manipulados com recurso à inteligência artificial, uma tecnologia que pode ser utilizada para criar vídeos, áudios e imagens capazes de aparentar declarações ou acontecimentos que não ocorreram.

Para uma verificação adequada, o Verifica.ao recomenda que os utilizadores não se limitem à aparência de um conteúdo ou ao número de partilhas. A origem da publicação, a data, o contexto e a confirmação por fontes independentes são elementos essenciais para determinar a sua autenticidade.

Rumores apontam para eventual saída de Manuel Homem

O alerta do ministro ocorre também num momento em que circulam, desde o final de Agosto, informações sobre uma eventual remodelação no Ministério do Interior.

O portal Club-K publicou, a 28 de Agosto, uma notícia segundo a qual o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, estaria a ponderar uma alteração na liderança do Ministério do Interior, apontando o comissário reformado Alfredo Eduardo Manuel Mingas como possível sucessor de Manuel Homem. A publicação associou a eventual mudança a alegadas irregularidades no Serviço de Migração e Estrangeiros (SME).

A mesma informação foi posteriormente reproduzida por várias plataformas digitais Contudo, não foi encontrada confirmação oficial da Presidência da República de que Manuel Homem tenha sido exonerado ou de que Alfredo Mingas tenha sido nomeado para o cargo.

Pelo contrário, o próprio Ministério do Interior continuava, em meados de Setembro, a divulgar actividades oficiais realizadas por Manuel Homem enquanto titular da pasta. No dia 15 de Setembro, por exemplo, o MININT noticiou reuniões e actividades do ministro, incluindo um encontro com a ministra das Pescas e Recursos Marinhos e uma reunião de trabalho com o governador de Luanda.

Assim, a eventual substituição de Manuel Homem permanece, com base nas fontes consultadas, no campo das informações não oficialmente confirmadas.

Relatório da Intelwatch também esteve no centro das publicações

As informações sobre uma eventual remodelação do Ministério do Interior surgiram num período em que também foram divulgadas alegações relacionadas com a gestão dos sistemas biométricos do Serviço de Migração e Estrangeiros.

Em Agosto de 2026, a organização sul-africana Intelwatch publicou o relatório Biometrics, Border Control and Surveillance in Angola, no qual levantou questões sobre contratos, fornecedores e sistemas de controlo biométrico e fronteiriço em Angola.

Entre os projectos analisados está um contrato de 112 milhões de dólares para a implementação de um sistema biométrico de controlo das fronteiras, envolvendo a empresa polaca Technology for Business (T4B) e a angolana Dolinveste. A existência e o valor do projecto foram confirmados por informação oficial do Ministério do Interior.

No entanto, algumas das conclusões apresentadas pela Intelwatch sobre a escolha dos fornecedores, possíveis influências políticas e outros aspectos do processo não podem ser apresentadas automaticamente como factos comprovados. O próprio Verifica.ao já analisou o relatório e concluiu que o documento mistura informações confirmáveis com alegações, relatos de fontes e avaliações da própria organização.

MININT rejeitou alegações sobre influência de Manuel Homem

Na sequência das notícias publicadas sobre o relatório, o Ministério do Interior divulgou um Direito de Resposta, no qual rejeitou categoricamente as alegações de que Manuel Homem teria exercido influência nos contratos.

O MININT considerou que a publicação reproduzia acusações graves sem apresentar, na sua perspectiva, factos objectivos ou provas credíveis que sustentassem a narrativa.

O Ministério exigiu ainda a publicação integral do Direito de Resposta e afirmou estar disponível para prestar esclarecimentos sobre matérias de interesse público, defendendo que os órgãos de comunicação social devem consultar as fontes oficiais antes de divulgar informações baseadas em alegações.

As alegações sobre uma eventual mudança na liderança do MININT devem, por isso, ser tratadas como rumores atribuídas a fontes e ainda não confirmadas oficialmente, e não como uma decisão já tomada pelo Presidente da República.

A importância de verificar antes de partilhar

O caso demonstra como diferentes informações podem ser misturadas numa única narrativa: um relatório real, alegações sobre contratos, rumores sobre uma eventual remodelação governamental e conteúdos publicados nas redes sociais.

A existência de um relatório ou de uma notícia que cita fontes não significa, por si só, que todas as afirmações nela contidas estejam comprovadas.

Por isso, antes de partilhar uma notícia, vídeo, áudio ou fotografia, é importante verificar quem publicou, quando foi publicado, qual é a fonte original e se outras fontes credíveis confirmam a mesma informação.

Fique atento ao Verifica.ao. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que os cidadãos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.

Quando uma informação envolve autoridades, figuras públicas ou decisões políticas importantes, a confirmação da fonte e do contexto é ainda mais importante. Não partilhe apenas porque o conteúdo parece verdadeiro ou porque está a ser amplamente divulgado.

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