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Omã detém 41% da Sociedade Mineira de Catoca e 49% do Luele

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Nos últimos dias, circula nas redes sociais uma publicação que afirma que Angola “entregou 41% da Sociedade Mineira de Catoca a Omã” e que o país abriu as portas do projecto diamantífero do Luele ao Sultanato de Omã. O referido texto ganhou repercussão com a partilha da informação pelo activista social Gangsta77.

A publicação relaciona ainda a operação com a saída da empresa russa Alrosa, na sequência das sanções internacionais impostas à Rússia, e associa o negócio aos 13 acordos assinados entre Angola e Omã em Setembro de 2026, avaliados em mais de 1,4 mil milhões de dólares.

Vários internautas solicitaram ao Verifica.ao a verificação da informação.

A nossa análise concluiu que a publicação parte de factos verdadeiros, mas mistura acontecimentos diferentes e utiliza uma formulação que pode induzir em erro sobre a forma como ocorreu a alteração da estrutura accionista.

Taadeen detém, de facto, 41% da Catoca

A actual estrutura accionista da Sociedade Mineira de Catoca confirma a informação principal.

Segundo a própria Catoca, a empresa é actualmente detida em 59% pela Endiama E.P. e em 41% pela Taadeen Investment LLC, subsidiária do Fundo Soberano do Sultanato de Omã.

Portanto, é verdadeiro afirmar que uma entidade omanita passou a deter 41% da Sociedade Mineira de Catoca.

A alteração ocorreu em 2025, quando a Taadeen entrou formalmente no capital da empresa.

Os 41% eram anteriormente da Alrosa

Também é verdadeiro que a participação de 41% estava anteriormente associada à Alrosa, empresa russa de diamantes.

O Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás explicou que a entrada da Taadeen ocorreu depois da saída da Alrosa. Segundo o Ministério, a empresa russa passou a sua participação para a Endiama, antes de a Taadeen adquirir quotas à empresa pública angolana.

A própria Endiama confirmou que o processo de saída da Alrosa foi motivado pelas dificuldades provocadas pelas sanções internacionais aplicadas à Rússia e que, após cerca de 15 meses de negociações, foi encontrada uma solução para manter a actividade de Catoca e Luele.

Angola “entregou” directamente os 41% a Omã?

Não exactamente.

É aqui que a publicação viral precisa de ser corrigida.

A expressão “Angola entregou 41% de Catoca a Omã” simplifica excessivamente uma operação societária que ocorreu em várias etapas.

De acordo com o MIREMPET, a Taadeen entrou formalmente no capital de Catoca através da aquisição de quotas à Endiama. Antes disso, a Alrosa tinha saído da sociedade e transferido a sua participação para a empresa pública angolana.

Assim, embora seja correcto dizer que a Taadeen passou a deter os 41% que anteriormente estavam na esfera da Alrosa, não é rigoroso afirmar que Angola simplesmente “entregou directamente” os 41% da Alrosa a Omã.

Taadeen também passou a deter participação no Luele

A parte relativa ao Luele também é verdadeira.

No âmbito da mesma reestruturação societária, a Sociedade Mineira de Catoca saiu do capital da Sociedade Mineira do Luele e as respectivas acções foram transferidas para a Taadeen. O MIREMPET confirmou que, com a operação, a Taadeen passou a ser sócia do Luele.

A estrutura anunciada pela Endiama passou a atribuir 49% à Taadeen e 51% à parte angolana.

Portanto, é correcto afirmar que o capital do Luele passou a contar com uma participação de 49% de uma empresa omanita.

No entanto, dizer que Omã passou a ter o “controlo” do Luele seria incorrecto, uma vez que 49% não representa maioria absoluta.

E os 13 acordos avaliados em mais de 1,4 mil milhões de dólares?

Outro elemento verdadeiro da publicação é a referência aos acordos entre Angola e Omã.

Durante a visita do Sultão de Omã, Haitham Bin Tarik Al Said, a Angola, em Setembro de 2026, foram assinados 13 acordos e memorandos de entendimento.

O valor anunciado para esses instrumentos foi de mais de 1,4 mil milhões de dólares.

A diferença é importante: a publicação viral fala em mais de 1,5 mil milhões de dólares, enquanto as informações divulgadas sobre a assinatura dos acordos apontam para mais de 1,4 mil milhões de dólares.

Além disso, esse montante não corresponde ao preço dos 41% da Catoca nem aos 49% do Luele.

Os 1,4 mil milhões de dólares referem-se ao conjunto dos instrumentos assinados entre Angola e Omã, que abrangem áreas como comércio, energia, agricultura, investimento, transportes e cooperação político-diplomática.

Uma alteração societária que começou antes dos acordos de Setembro

Outro ponto importante é a cronologia.

A entrada da Taadeen em Catoca e no Luele não aconteceu em Setembro de 2026, durante a assinatura dos 13 acordos.

A alteração da estrutura societária foi formalizada em 2025. Em Março daquele ano, a Endiama anunciou que a participação estatal em Catoca permanecia em 59%, enquanto a Taadeen passava a deter 41%; no Luele, a Taadeen ficava com 49%.

Posteriormente, em 26 de Maio de 2025, o MIREMPET anunciou a formalização da entrada da Taadeen no capital de Catoca por aquisição de quotas à Endiama.

Portanto, não se trata de uma operação accionista realizada no âmbito dos 13 acordos de Setembro de 2026.

O que é facto e o que é exagero na publicação?

A publicação viral mistura elementos verdadeiros com interpretações que não são sustentadas directamente pelos documentos consultados.

Veredicto

VERDADEIRO, MAS COM RESSALVAS.

É verdadeiro que a Taadeen Investment LLC, subsidiária do Fundo Soberano de Omã, detém actualmente 41% da Sociedade Mineira de Catoca e 49% da Sociedade Mineira do Luele. Também é verdadeiro que a operação ocorreu no contexto da saída da russa Alrosa e das dificuldades provocadas pelas sanções internacionais contra a Rússia.

Contudo, a narrativa viral simplifica a operação societária ao afirmar que Angola “entregou” directamente os 41% a Omã. A documentação oficial mostra que a Alrosa saiu, a sua participação passou para a Endiama e, posteriormente, a Taadeen adquiriu quotas à empresa pública angolana.

Além disso, os mais de 1,4 mil milhões de dólares anunciados em Setembro de 2026 correspondem ao conjunto de 13 acordos e memorandos celebrados entre Angola e Omã, não ao valor das participações em Catoca e Luele.

Fique atento ao Verifica.ao. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que os cidadãos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas. Antes de partilhar informações sobre grandes negócios, investimentos ou recursos nacionais, verifique sempre os documentos oficiais e procure distinguir os factos comprovados das interpretações e afirmações utilizadas nas redes sociais.

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