Circula nas redes sociais e em grupos do WhatsApp uma imagem com os logótipos associados ao processo de Registo Eleitoral Oficioso (REO) e ao Balcão Único de Atendimento ao Público (BUAP), apresentada como um aviso oficial.

Na publicação, lê-se que “não existem BUAP clandestinos”, acrescentando que existem apenas “serviços mais próximos do cidadão”. A mensagem recomenda ainda aos cidadãos que actualizem o seu registo eleitoral junto dos agentes do BUAP.
A imagem começou a circular num contexto de vídeos publicados nas redes sociais sobre um alegado desmantelamento de um BUAP clandestino no município do Cazenga, levando alguns utilizadores a questionar a autenticidade do suposto comunicado.
A imagem é oficial?
Não.
A equipa do Verifica.ao analisou a imagem e procurou a informação nos canais institucionais relacionados com o processo de Registo Eleitoral Oficioso.
Não foi encontrada a referida nota nas plataformas oficiais (MAT, REO e site) consultadas das entidades responsáveis pela execução e divulgação do processo.
Além disso, a análise da própria imagem identificou elementos visuais incompatíveis com um comunicado institucional autêntico, indicando que o conteúdo terá sido produzido ou manipulado com recurso a inteligência artificial.
Por isso, não deve ser tratada como um comunicado oficial das autoridades eleitorais ou da Administração do Território.
Governo disponibilizou BUAP em todo o país
A existência de uma imagem falsa não significa que os BUAP não estejam a funcionar.
O Governo anunciou que o processo de actualização do Registo Eleitoral Oficioso e Prova de Vida será realizado através de uma rede de 634 BUAP, implementados de forma faseada em todo o país. Na primeira fase foram activados 254 postos, estando prevista a entrada em funcionamento de mais de 380 postos a partir de Julho.
Os cidadãos também podem ser atendidos através de brigadistas devidamente identificados, no âmbito das acções de proximidade previstas para facilitar o acesso da população ao processo.
Assim, os cidadãos devem confirmar a identificação dos agentes e recorrer aos canais oficiais antes de fornecer documentos ou dados pessoais.
E o Registo Eleitoral Oficioso?
O Registo Eleitoral Oficioso consiste na integração e actualização dos dados dos cidadãos angolanos maiores de idade na base de dados dos cidadãos habilitados a exercer o direito de voto.
O actual processo de actualização e Prova de Vida decorre de 15 de Junho de 2026 a 31 de Março de 2027 e deverá abranger mais de 16 milhões de cidadãos.
A actualização é destinada aos cidadãos angolanos com 18 ou mais anos de idade, residentes em Angola ou no exterior do país.
Onde actualizar os dados?
Em território nacional, a actualização pode ser realizada nos BUAP ou através de brigadistas devidamente identificados. Para os cidadãos residentes no exterior, o processo é realizado nas missões diplomáticas e consulares de Angola.
É importante que os cidadãos não utilizem imagens ou mensagens partilhadas em grupos de WhatsApp como única fonte para decidir onde ou como efectuar o processo.
Governo disponibiliza informações e mecanismos de denúncia
Existem canais institucionais destinados a prestar informações sobre o Registo Eleitoral Oficioso e orientar os cidadãos sobre o processo.
Em caso de dúvida sobre um suposto BUAP, brigadista ou serviço de registo, o cidadão deve confirmar a informação junto das estruturas oficiais antes de entregar documentos, dados pessoais ou efectuar qualquer pagamento.
Veredicto
FALSO.
A imagem que circula nas redes sociais com a mensagem de que “não existem BUAP clandestinos” e que apresenta uma suposta orientação oficial não foi publicada nos canais institucionais consultados e apresenta características compatíveis com conteúdo produzido ou manipulado por inteligência artificial.
O processo de Registo Eleitoral Oficioso é real e está em curso, com BUAP e brigadistas devidamente enquadrados pelas autoridades. Contudo, a imagem viral não constitui um comunicado oficial e não deve ser utilizada como fonte de informação sobre o processo.
Fique atento ao Verifica.ao. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que os cidadãos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas. Antes de partilhar um comunicado nas redes sociais, confirme sempre a sua origem nos canais oficiais.
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