Depois de lançar as Notas da Comunidade nos EUA em abril do ano passado e de ter mostrado interesse em lançar este sistema para outros territórios, parece que a Meta começou a expansão internacional.
De acordo com uma publicação partilhada pela própria gigante tecnológica, as Notas da Comunidade do Facebook, do Instagram e da Threads estão a ser lançadas em vários países da América Latina, com o continente africano a ficar de fora. Os países em questão são a Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
Tal como acontece na rede social X, o sistema Notas da Comunidade depende de outros utilizadores que queiram adicionar contexto a determinadas publicações partilhas nas redes sociais.
Nesta primeira fase, a Meta diz que o sistema ainda estará em fase de testes e nota que começou a aceitar colaboradores que, se forem aceites, estarão habilitados a acrescentar informação que será exibida em conjunto com a publicação visada. Neste primeiro momento, a empresa nota que “não haverá mudanças na verificação de factos” feita por terceiros nas suas redes sociais.
No entanto, a gigante tecnológica dá a entender que as Notas da Comunidade podem vir a substituir a verificação de factos no seu formato atual.
“Quando estivermos confiantes que o produto está a funcionar bem e pode ser bem-sucedido, vamos considerar um lançamento completo – começando a publicar Notas da Comunidade e fazer a transição do nosso programa de verificação de factos de terceiros”, pode ler-se na publicação da Meta.
Escusado será dizer que as organização dedicadas à verificação de factos não ficaram satisfeitas com esta decisão da Meta, com a International Fact-Checking Network (IFCN) a admitir em comunicado estar “profundamente preocupada” e notando que as Notas da Comunidade “simplesmente não são adequadas no que diz respeito à redução do impacto falsidades prejudiciais”.
“Supremo” da Meta aponta “riscos significativos”
O Oversight Board da Meta – conhecido como o “supremo tribunal” das redes sociais da empresa – acredita que há “riscos significativos” em lançar as Notas da Comunidade fora dos EUA. Mais ainda, nota que o sistema não deve substituir a verificação de factos.
No parecer partilhado pelo Oversight Board em março do ano passado é referido que lançar as Notas da Comunidade sem determinadas proteções e salvaguarda fora dos EUA pode colocar “riscos significativos para os direitos humanos”.
O organismo acredita que as Notas da Comunidade podem “melhorar a liberdade de expressão dos utilizadores e o discurso online” desde que sejam criadas as devidas proteções. Porém, o Oversight Board também recomenda que o sistema não seja lançado em países como uma “elevada polarização” ou que estejam em crise.
Não se sabe se esta opinião do Oversight Board será levada em conta pela Meta, mas o “supremo tribunal” nota que tal sistema não deve levar a empresa a abandonar a verificação de factos.
“As Notas da Comunidade e a verificação de factos não são mutuamente exclusivas”, afirma um dos membros do Oversight Board, Paolo Carozza, em mensagem enviada ao site Engadget. “Um não tem de substituir o outro, eles podem coexistir. E em algumas situações, há motivos realmente importantes para coexistirem. O Oversight Board evitou deliberadamente qualquer sugestão de que a introdução das Notas da Comunidade deva resultar na remoção ou no fim da verificação de factos”.
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