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Investigação deteta rede internacional de páginas falsas com foco em Angola

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Uma investigação recente detetou uma rede com quase 2.200 páginas enganosas com foco em Angola e em vários países africanos, fazendo-se passar por governos, empresas e entidades como a OMS e a UNICEF.

A investigação feita pelo Lusa Verifica, encontrou e analisou 2.197 endereços, dos quais 790 já estavam inativos, cerca de 430 por apresentarem algum tipo de erro técnico e mais de 360 por já terem sido removidos.

Os ‘sites’ enganosos foram criados por pelo menos 68 perfis no Blogger, plataforma da Google usada para criar e publicar ‘blogues’ e páginas na Internet, e por cinco contas no GitHub, uma plataforma de alojamento de código-fonte que pertence à Microsoft, mas cujas páginas falsas incluem código-fonte relacionado com o Blogger.

Dos 68 perfis identificados no Blogger, 55 estavam ativos e públicos, alguns desde 2016, cinco estavam ativos mas privados e oito terão sido eliminados pela plataforma, mas foi possível encontrar registos arquivados.

Segundo os dados recolhidos e também arquivados pelos especialistas ao longo de várias semanas, a rede recorre sobretudo a falsas ofertas de emprego, com cerca de 480 páginas, ofertas de dados móveis, com mais de 300, e alegados subsídios ou outros apoios financeiros, com cerca de 140 páginas.

Foram identificadas também páginas falsas sobre outros temas como bolsas de estudo, respostas de testes escolares, pedidos de visto, oferta de computadores e telemóveis e conteúdo adulto, geralmente partilhadas através do Facebook e de redes fechadas como o WhatsApp.

Depois do preenchimento desses dados pessoais, a página dizia que o pedido tinha sido recebido e que, para ser aprovado, o utilizador teria de partilhar a ligação com “cinco grupos ou 15 amigos no WhatsApp”, a aplicação de mensagens instantâneas da Meta.

No final dos processos de registo, a investigação testou em dezenas de páginas, praticamente todas remetiam para lojas ‘online’, ‘sites’ alegadamente de instalação de um navegador de internet, a subscrição de serviços pagos em operadores de telecomunicações ou outros destinos suspeitos potencialmente maliciosos, alguns impedidos pelos antivírus.

Além de Angola, as páginas visam outros países lusófonos, como Moçambique, Guiné-Bissau e Portugal.

As páginas fazem-se passar por entidades públicas, organizações internacionais, empresas e figuras públicas, incluindo Institutos Nacionais de Estatística, Coca-Cola, Amazon, Samsung, Nestlé, MTN, Banco Mundial, Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Organização das Nações Unidas (ONU).

A rede também usou nomes de figuras conhecidas, como o cantor nigeriano ‘Davido’ e o empresário Obi Cubana, além de referências a comissões eleitorais de 27 países.

A investigação encontrou páginas que usavam nomes de empresas portuguesas, como a Ferpinta e a Mota-Engil, em esquemas de falsos recrutamentos dirigidos a Angola.

A análise da rede e de dezenas de páginas aponta para um aparente esquema de ‘phishing’ – recolha ou roubo de dados pessoais através de páginas falsas -, ou outro esquema fraudulento para gerar receitas através de publicidade.

A investigação encontrou contactos associados a alguns dos perfis analisados, um deles com a identificação real de um jovem nigeriano, aos quais enviou pedidos de esclarecimento por email e WhatsApp, mas ainda não obteve respostas.

Também foi pedida uma reação à Google, dona do Blogger, empresa à qual foi enviada a lista integral de perfis identificados, incluindo os que estão em modo privado mas com informação acessível através de serviços de arquivo como o Wayback Machine, mas ainda não foram obtidas respostas nem os perfis foram eliminados.

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