Nos últimos dias, tem circulado nas redes sociais e em várias plataformas informativas a fotografia de uma mulher, acompanhada da alegação de que se trata da alegada mandante do assalto à agência do Banco BAI, localizada na Cidadela Desportiva, em Luanda.

As publicações afirmam que a suspeita teria sido detida pelas autoridades e que as investigações prosseguem para apurar o seu grau de envolvimento no crime. Algumas mensagens acrescentam ainda que o caso permanece sob investigação, dando a entender que a mulher retratada estaria diretamente ligada ao assalto.
Perante a ampla circulação da imagem, vários leitores solicitaram à redacção do Verifica.ao que verificasse a autenticidade da informação.
Veredicto: FALSO
A equipa do Verifica.ao investigou a alegação e concluiu que a informação é falsa.
A fotografia que está a ser partilhada não pertence a qualquer suspeita relacionada com o assalto ao BAI da Cidadela. Na realidade, a imagem é da esteticista Leonice Neto, proprietária da clínica Nice da Luz, envolvida num processo distinto, sem qualquer ligação ao assalto.
Quem é a mulher da fotografia?
Leonice Neto tornou-se notícia após o caso de uma cidadã angolana que foi submetida a um procedimento estético na sua clínica, entrou em coma e veio posteriormente a falecer.
Na sequência da investigação conduzida pelas autoridades, a arguida foi apresentada ao Juiz de Garantias, que lhe aplicou a medida de prisão preventiva, considerada a mais gravosa das medidas de coacção previstas na legislação angolana.
A informação foi confirmada publicamente pela Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), através do seu porta-voz, intendente-chefe Quintino Ferreira.
Não existe qualquer elemento que associe Leonice Neto ao assalto registado na agência bancária do BAI, sendo, por isso, falsa a tentativa de relacionar a sua imagem com esse crime.
A Polícia Nacional divulgou fotografias dos suspeitos do assalto?
Não.
Até ao momento da publicação desta verificação, a Polícia Nacional não divulgou qualquer fotografia oficial dos presumíveis autores do assalto à agência do BAI da Cidadela.
Em declarações ao jornal O País, o porta-voz da Polícia Nacional em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, confirmou apenas que continuam as diligências para localizar e deter quatro homens suspeitos de envolvimento no crime.
Segundo as autoridades, os suspeitos entraram na agência bancária por volta das 11h15, deslocando-se em duas motorizadas e empunhando quatro armas de fogo, tendo fugido após a consumação do assalto.
As investigações prosseguem e, até ao momento, não foram tornadas públicas imagens nem identidades oficiais dos suspeitos.
Porque circulam imagens falsas após acontecimentos de grande impacto?
É frequente que, após crimes mediáticos ou acontecimentos que geram grande atenção pública, surjam nas redes sociais fotografias retiradas de outros contextos e apresentadas como se fossem dos alegados envolvidos.
Este tipo de desinformação procura aproveitar o interesse do público para aumentar o número de visualizações e partilhas, mas pode causar graves danos à reputação de pessoas que nada têm a ver com os factos em investigação.
Por essa razão, é fundamental aguardar sempre por informações divulgadas pelas autoridades competentes ou por órgãos de comunicação social credíveis.
Conclusão
É falsa a alegação de que a mulher cuja fotografia circula nas redes sociais seja a alegada mandante do assalto ao Banco BAI da Cidadela.
A imagem corresponde, na realidade, à esteticista Leonice Neto, actualmente em prisão preventiva no âmbito de um processo relacionado com a morte de uma paciente após um procedimento estético.
Até ao momento, a Polícia Nacional não divulgou fotografias oficiais nem a identidade dos presumíveis autores do assalto, mantendo as investigações em curso.
Fique atento ao Verifica.ao
Casos de grande repercussão pública são frequentemente acompanhados por rumores, imagens retiradas de contexto e falsas identificações de suspeitos. Antes de partilhar fotografias ou informações sobre investigações criminais, confirme sempre se a sua origem é oficial e credível.
O Verifica.ao continua a acompanhar estes casos para combater a desinformação e garantir que os cidadãos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.
Deixe um comentário