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Verifica.ao explica: o que é a Mpox, como se transmite, sintomas, prevenção, tratamento e vacinação

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A Mpox, anteriormente conhecida como “varíola dos macacos”, continua a exigir atenção das autoridades de saúde e da população. Muito recentemente, o Ministério da Saúde realizou, no dia 10 de Setembro de 2026, uma conferência de imprensa dedicada à situação epidemiológica da doença no país, com o objectivo de actualizar a informação pública e apresentar as medidas de vigilância, prevenção, controlo e resposta adoptadas pelas autoridades sanitárias.

Perante a circulação de diferentes informações sobre a doença, a redacção do Verifica.ao explica, em seis pontos, o que é a Mpox, quais são os seus principais sintomas, como ocorre a transmissão, como prevenir a infecção, como é feito o tratamento e qual é o papel das vacinas.

1. O que é a Mpox?

A Mpox é uma doença viral causada pelo vírus monkeypox, pertencente ao género Orthopoxvirus, o mesmo género que inclui o vírus da varíola humana.

A doença é considerada uma zoonose porque pode ser transmitida entre animais e seres humanos. No entanto, actualmente, a transmissão entre pessoas constitui uma importante via de propagação em vários contextos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) explica que diferentes pequenos mamíferos podem ser portadores do vírus em regiões onde existe circulação animal.

A doença pode provocar lesões na pele e nas mucosas, febre, aumento dos gânglios linfáticos e outros sintomas. Na maioria dos casos, as pessoas recuperam, mas algumas podem desenvolver formas graves, sobretudo determinados grupos de maior risco, como crianças pequenas, mulheres grávidas e pessoas com o sistema imunitário enfraquecido.

2. Quais são os principais sintomas?

Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa. Entre os mais frequentes estão:

  • erupções ou lesões na pele;
  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dores musculares;
  • dores nas costas;
  • cansaço intenso;
  • dor de garganta;
  • aumento e dor dos gânglios linfáticos.

As lesões podem aparecer no rosto, mãos, pés, boca, garganta, região genital e anal, entre outras partes do corpo. Em algumas pessoas, a erupção cutânea pode ser o primeiro sintoma.

Os sintomas normalmente surgem entre 1 e 21 dias após a exposição, embora frequentemente apareçam dentro de uma semana. A doença costuma durar entre duas e quatro semanas, podendo prolongar-se em pessoas com o sistema imunitário comprometido.

Em casos mais graves, podem ocorrer complicações como infecções bacterianas secundárias, pneumonia, sépsis, encefalite e infecções oculares que podem comprometer a visão.

3. Como se transmite a Mpox?

A principal forma de transmissão é através de contacto próximo com uma pessoa infectada.

O vírus pode ser transmitido através do contacto directo com lesões da pele ou das mucosas, fluidos corporais, partículas respiratórias durante contactos próximos e objectos contaminados, como roupas ou roupa de cama. O contacto sexual pode facilitar a transmissão devido à proximidade física e ao contacto pele com pele, mas a Mpox não deve ser reduzida a uma doença exclusivamente sexual.

Também pode ocorrer transmissão de animais para seres humanos em locais onde o vírus circula entre animais, nomeadamente através de mordeduras, arranhões ou contacto com animais infectados e as suas carcaças.

Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus enquanto as lesões não tiverem cicatrizado completamente e uma nova camada de pele não tiver surgido.

4. Como prevenir?

A prevenção passa, sobretudo, por evitar o contacto próximo com pessoas que apresentem sintomas ou lesões suspeitas.

Entre as principais medidas recomendadas estão:

  • evitar tocar nas lesões de uma pessoa infectada;
  • evitar partilhar roupas, roupa de cama, toalhas e outros objectos que possam estar contaminados;
  • lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou utilizar solução à base de álcool;
  • manter as lesões cobertas e seguir as orientações das autoridades de saúde;
  • utilizar máscara e equipamento de protecção adequado ao cuidar de uma pessoa infectada;
  • evitar contacto com animais doentes ou mortos em áreas onde exista transmissão animal.

No caso de pessoas que tenham tido contacto próximo com um caso confirmado, é importante procurar orientação dos serviços de saúde e monitorizar o aparecimento de sintomas.

A OMS salienta ainda que qualquer pessoa pode contrair Mpox, pelo que a informação sobre a doença deve ser transmitida sem estigmatizar grupos específicos.

5. Existe tratamento para a Mpox?

Na maioria dos casos, a Mpox é uma doença autolimitada, ou seja, o organismo consegue eliminar a infecção sem necessidade de um tratamento antiviral específico. O tratamento é sobretudo dirigido ao controlo dos sintomas, à hidratação, aos cuidados com as lesões e à prevenção ou tratamento de complicações.

Pessoas com maior risco de desenvolver doença grave podem necessitar de acompanhamento médico mais próximo.

Alguns medicamentos antivirais estão a ser utilizados ou avaliados em determinados contextos, nomeadamente através de protocolos específicos e estudos clínicos. Por isso, qualquer suspeita de Mpox deve ser avaliada por profissionais de saúde, que determinarão a abordagem adequada.

6. Existe vacina contra a Mpox?

Sim. Existem vacinas que protegem contra a Mpox.

A OMS recomenda uma estratégia de vacinação direccionada para pessoas com maior risco de exposição, sobretudo durante surtos. Entre os grupos que podem ser priorizados estão pessoas que tiveram contacto próximo com casos de Mpox, profissionais de saúde expostos ao vírus e outros grupos definidos de acordo com a situação epidemiológica de cada país.

Entre as vacinas utilizadas encontram-se a MVA-BN e a LC16m8. A vacinação pode ser realizada antes da exposição, para reduzir o risco de infecção, ou depois de uma exposição, de acordo com as orientações das autoridades de saúde.

A OMS não recomenda actualmente a vacinação em massa de toda a população, defendendo uma abordagem direccionada para as pessoas com maior risco, em função da realidade epidemiológica e das políticas nacionais.

O que fazer perante uma suspeita?

Se uma pessoa apresentar sintomas compatíveis com Mpox, especialmente lesões ou erupções cutâneas inexplicadas acompanhadas de febre ou gânglios inchados, deve procurar uma unidade sanitária e evitar o contacto próximo com outras pessoas até receber orientação médica.

A informação sobre a doença deve ser baseada em fontes oficiais e científicas, evitando a partilha de mensagens não verificadas que possam provocar medo, estigma ou comportamentos inadequados.

O Verifica.ao continuará a acompanhar as informações sobre a Mpox e outras questões de saúde pública, contribuindo para que a população tenha acesso a informação precisa, responsável e verificada.

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