Um relatório do projeto ATAFIMI conclui que a desinformação com origem russa está a evoluir para um modelo mais “ágil e oportunista”, explorando acontecimentos internacionais, como o caso Epstein ou o conflito no Médio Oriente, para reforçar narrativas pró-Kremlin.
O documento, elaborado no âmbito do projeto ATAFIMI, analisou conteúdos difundidos entre janeiro e março de 2026 em vários países da Europa e América Latina, identificando uma tendência crescente de adaptação rápida a temas mediáticos globais para maximizar alcance e impacto.
De acordo com o relatório, eventos de grande visibilidade são “reaproveitados” como veículos narrativos.
O caso dos ficheiros Epstein, por exemplo, foi usado para promover teorias da conspiração que associam líderes ocidentais e figuras ucranianas a redes de poder ocultas, ao mesmo tempo que apresentam a Rússia como agente de justiça ou proteção.
A mesma lógica foi aplicada à escalada militar que envolve o Irão, Estados Unidos e Israel, onde conteúdos manipulados procuraram reforçar sentimentos antiocidentais e retratar Moscovo como aliado estratégico de Teerão, enquanto outras narrativas amplificavam desconfiança em relação a atores internacionais.
Outro elemento inovador identificado é a crescente utilização de Inteligência Artificial (IA) para produzir conteúdos satíricos ou de ridicularização, sobretudo dirigidos a figuras ucranianas.
Em vez de mensagens alarmistas, estas peças recorrem ao humor e à paródia para minar a credibilidade de adversários, marcando uma mudança de tom nas campanhas de desinformação.
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