Está a circular nas redes sociais e em grupos de WhatsApp uma imagem que mostra um corpo amarrado a uma mota, acompanhada de uma narrativa dramática segundo a qual um jovem, alegadamente no Bailundo, teria sido forçado a transportar o corpo da própria mãe até ao Mungo porque o hospital local “recusou disponibilizar ambulância por ser longe demais”.

O texto que acompanha a imagem descreve uma suposta cena de desespero, acrescentando que o jovem “chorava enquanto amarrava o corpo da mãe”, e que tal situação demonstraria uma alegada decadência dos serviços públicos de saúde no país. A publicação gerou forte indignação e levou vários internautas a questionar a veracidade dos factos — inclusive insinuando “crime”, “negligência hospitalar” e mesmo pedindo exonerações de autoridades de saúde.
A equipa do Verifica.ao investigou a imagem e confirma: a história é falsa.
Verificação dos factos
Uma pesquisa reversa da imagem permitiu identificar que a fotografia não é recente, não foi captada em Angola e não corresponde à narrativa que está a ser partilhada.
A imagem tem circulado amplamente em páginas e grupos da República Democrática do Congo (RDC). A fonte mais antiga encontrada pela nossa equipa é uma publicação do pastor congolês Erick Kabala, onde ele explica o contexto real da fotografia:
“É assim que os cadáveres são transportados para a nossa casa em Sankuru. Esta bicicleta é ao mesmo tempo táxi, ambulância e carro funerário.”
Ou seja, trata-se de uma prática comum em zonas rurais da RDC, onde não existem infra-estruturas adequadas para transporte de cadáveres. Nada indica que a fotografia tenha qualquer ligação com Angola, muito menos com os municípios do Bailundo ou do Mungo, como sugerem as publicações virais.
O que é falso na narrativa
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❌ A foto não foi captada em Angola.
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❌ O corpo não pertence a uma mulher angolana nem a um caso ocorrido no Bailundo.
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❌ Não houve recusa de ambulância por parte de um hospital angolano.
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❌ A história do jovem a transportar o corpo da mãe é totalmente inventada.
A imagem está a ser manipulada com um texto emocional para provocar indignação pública e gerar partilhas massivas — um padrão comum em conteúdos de desinformação.
Conclusão: FALSO
A história que acompanha a imagem é totalmente fictícia e não tem qualquer ligação com os serviços de saúde angolanos. A fotografia é oriunda da República Democrática do Congo e retrata apenas os métodos tradicionais de transporte de cadáveres em zonas remotas daquele país.
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