No últimos dia, uma publicação feita pela activista Djamila Rangel nas redes sociais gerou amplo debate entre os internautas. Na mensagem, a activista afirmou que “o Irão também subsidia o combustível no seu país e 100% subsidiado. Porém mesmo com os custos elevados da guerra com os EUA e Israel o Irão continua a subsidiar o combustível e não faliu”, fazendo uma contradição ao estado actual da economia angolana.

Na mesma publicação, acrescentou ainda que “no Irão mexer no dinheiro público dá fuzilamento, pena de morte”, estabelecendo uma comparação entre a gestão dos recursos públicos naquele país e a realidade angolana.
Perante o elevado alcance da publicação e os vários pedidos de esclarecimento recebidos pela redacção do Verifica.ao, a nossa equipa procedeu à verificação dos factos.
O veredicto
A alegação é INCORRETA.
Embora seja verdade que o Irão figure entre os países que mais subsidiam combustíveis no mundo, não corresponde à realidade afirmar que o combustível é actualmente “100% subsidiado” para todos os consumidores e em todas as circunstâncias.
O que é verdade?
O Irão mantém há décadas uma política de fortes subsídios aos combustíveis, permitindo que a gasolina e o diesel sejam comercializados a preços significativamente inferiores aos praticados no mercado internacional.
Dados de organismos internacionais mostram que o país continua entre os maiores financiadores de subsídios energéticos do mundo. Como resultado, os combustíveis permanecem entre os mais baratos do planeta para os consumidores iranianos.
É igualmente verdade que o governo iraniano continua a suportar elevados custos com subsídios mesmo enfrentando sanções económicas internacionais, inflação elevada e despesas relacionadas com segurança e defesa.
O que torna a afirmação incorrecta?
A principal incorrecção da publicação está na afirmação de que o combustível é “100% subsidiado”.
Nos últimos anos, as autoridades iranianas implementaram reformas para reduzir o peso dos subsídios sobre as contas públicas. Actualmente, o sistema funciona através de diferentes níveis de preços:
- Os cidadãos recebem uma quantidade mensal de combustível a preço fortemente subsidiado;
- O combustível consumido acima dessa quota é vendido a preços mais elevados;
- Existem diferentes escalões tarifários para gasolina e diesel;
- Parte dos subsídios foi reduzida ou eliminada para determinados utilizadores e sectores económicos.
Isto significa que o Estado continua a subsidiar os combustíveis, mas não cobre integralmente o custo de todo o combustível consumido no país.
E quanto à alegação sobre corrupção e pena de morte?
A publicação também sugere que qualquer desvio de dinheiro público no Irão resulta automaticamente em fuzilamento ou pena de morte.
Esta afirmação é igualmente imprecisa.
Embora a legislação iraniana preveja penas severas para determinados crimes económicos, incluindo alguns casos de corrupção considerados graves, não existe uma regra automática que determine a aplicação da pena de morte a todos os casos de gestão indevida de recursos públicos ou corrupção.
Cada processo depende da natureza do crime, da investigação realizada e da decisão dos tribunais competentes.
Porque é importante contextualizar este tipo de informação?
Publicações virais nas redes sociais recorrem frequentemente a comparações simplificadas entre países para sustentar argumentos políticos ou económicos. Contudo, essas comparações tendem a omitir elementos importantes da realidade.
No caso do Irão, é verdade que existem elevados subsídios aos combustíveis. No entanto, também é verdade que o país enfrenta desafios económicos significativos, incluindo inflação, pressão sobre as finanças públicas e reformas periódicas dos subsídios precisamente para reduzir os custos suportados pelo Estado.
Conclusão
Após análise dos factos disponíveis, o Verifica.ao conclui que a afirmação de que “o Irão subsidia 100% o combustível” é incorreta.
O país mantém subsídios muito elevados e continua entre os maiores subsidiadores de combustíveis do mundo. Contudo, os combustíveis não são integralmente subsidiados para todos os consumidores, existindo actualmente sistemas de quotas e preços diferenciados.
Classificação final: INCORRETO
O combate à desinformação exige contexto, rigor e verificação. Afirmações que misturam factos reais com exageros ou informações imprecisas podem induzir o público em erro e distorcer o debate público.
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