Circula nas plataformas digitais e foi reiterada recentemente no programa Conceito Económico, da XAA, a afirmação do economista Carlos Panzo de que:
“Em 2013, o serviço da dívida ocupava 20% do OGE. Hoje é mais de 70%.”
A equipa do Verifica.ao analisou os documentos oficiais e comprova que a afirmação é enganosa.
O que mostram os dados oficiais?
1. OGE 2013 – o valor não era 20%
O Relatório de Fundamentação do OGE 2013, produzido pelo Governo, indica que a cobertura do serviço da dívida representava 17,1% da despesa orçamental.
Outros documentos, incluindo análises do OPSA e da ADRA, não apresentam qualquer valor próximo de 20% para essa rubrica.
Conclusão para 2013:
Os dados oficiais apontam para 17,1%.
A afirmação de “20%” não corresponde com rigor à informação disponível.
2. OGE 2025 – o peso do serviço da dívida não ultrapassa 70%
Para 2025, os dados públicos divergem significativamente da afirmação do economista.
Segundo a Visão Geral do OGE 2025 (UNICEF, com base em dados orçamentais oficiais) e informação disponível na plataforma oficial do SCM (Secretariado do Conselho de Ministros):
Conclusão para 2025:
Os documentos orçamentais estabelecem 49%.
Não existe suporte oficial para o valor “acima de 70%”.
Avaliação geral da afirmação
A afirmação de Carlos Panzo contém distorções relevantes:
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A percentagem atribuída a 2013 é inflacionada relativamente aos dados oficiais.
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A percentagem atribuída a 2025 é claramente incorreta, a partir das fontes oficiais mais recentes.
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É possível que o economista tenha feito referência a outra métrica (programação financeira, necessidades de financiamento, amortizações futuras), mas não corresponde ao peso do serviço da dívida no OGE, como apresentado.
Conclusão do Verifica.ao
A afirmação é ENGANOSA.
Apesar de haver tendência de aumento da pressão da dívida ao longo dos anos, os valores apresentados — 20% e mais de 70% — não correspondem aos dados oficiais dos Orçamentos Gerais do Estado para 2013 e 2025, respectivamente.
Fique sempre atento ao Verifica.ao.
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