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Ausência de consciência sobre redes sociais potencia desinformação, revela investigadora

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A ausência da consciência sobre o perigo de uma rede social faz com que também não haja consciência do perigo da desinformação, na opinião da especialista e académica Sónia Lamy, em entrevista a agência Lusa.

A investigadora e professora universitária que tem estudado as formas de relação entre os jovens com os meios de comunicação, explica que “a ausência da consciência sobre o perigo daquilo que é uma rede social nos educadores, nas famílias e no espaço escolar” faz com que também não haja “consciência do quão perigoso pode ser o impacto da desinformação do ponto de vista social”.

Neste sentido, Sónia Lamy reitera que para os jovens a tendência atual não é procurar informação jornalística: Essa “não é a preocupação dos jovens, os jovens querem é sentir-se informados” e para isso aceitam “as mensagens que vêm ter com eles de forma acessível, ou seja, através das redes sociais”.

“Não é procurar estar bem informado, é procurar estar informado e estar a par daquilo que está acontecer. Não interessa a qualidade do que está presente no tipo de leitura que é feita, mas na forma fácil e acessível com que a informação chega”, afirmou a académica.

Sónia Lamy referiu que mesmo os estudantes de jornalismo na universidade têm cada vez menor interesse em procurar informação, “querem estar informados, ou pelo menos querem estar a par do que está a acontecer, no entanto, não vão aos meios de comunicação procurar informação”.

Para a docente, este contexto abre caminho para a desinformação, porque “as redes sociais não filtram informação”, ao mesmo tempo que se assiste a uma “falta de formação no decorrer da linha de escolaridade”, fazendo com que os jovens sejam “muito permeáveis a todas as influências das mensagens que vão chegando através das redes sociais”.

A investigadora realça que os jovens (12-22 anos) são mais vulneráveis à desinformação através das redes sociais porque “é o abrir a porta para que haja um fluxo constante de informações a chegarem, sem que haja filtro”, pelo que o controlo da qualidade da informação é que é o mais importante.

“Há acesso a um meio superpoderoso, de acesso a tudo o que é informação, desinformação, propaganda ideológica, de forma muito precoce (…) num espaço em que os jovens não estão preparados para receber todas estas informações”, afirmou.

Sónia Lamy explica que a adolescência é uma fase de alguma influenciabilidade em relação a fatores externos e o “telemóvel é um fator externo muito forte (…) uma arma poderosa para pessoas que sabem utilizar esse meio para captar os mais jovens”.

“O poder das redes sociais está em quem usa as redes sociais”, em quem está a trabalhar para cumprir determinados objetivos “e os jovens acabam por ser fortemente influenciados de forma inconsciente”.

Além disso, “ao olhar para os currículos das escolas, a literacia mediática, neste momento, é algo que está completamente ausente”, o que reflete um “caminho de degradação do interesse pelo jornalismo e até mesmo pela democracia”.

“O sistema educativo não está a acolher a educação e a literacia para os media da forma séria que devia ser vista”, afirmou, acrescentando a necessidade de um debate sobre a literacia mediática e educação de media que englobe o jornalismo e a academia para um estudo consistente da desinformação.

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