Nos últimos dias, começou a circular nas redes sociais e em outras plataformas digitais uma informação segundo a qual a Empresa Portuária do Lobito teria aprovado uma nova tabela salarial que elevaria para cerca de 12 milhões de kwanzas mensais a remuneração do presidente do Conselho de Administração (PCA), Celso Rosas, e de outros membros do Conselho de Administração.
A publicação apresenta ainda uma alegada disparidade entre os vencimentos da administração e os salários de trabalhadores da empresa, apontando valores que variariam entre cerca de 121 mil e 150 mil kwanzas para alguns funcionários e aproximadamente 610 mil kwanzas para directores.
A informação gerou reacções nas redes sociais e levantou críticas relacionadas com uma alegada desigualdade salarial e falta de transparência na gestão da empresa.
Perante a circulação da alegação, a equipa do Verifica.ao procurou verificar a informação.
A Empresa Portuária do Lobito desmente aumento salarial
Em esclarecimento sobre o assunto, a Empresa Portuária do Lobito confirmou ter tomado conhecimento da publicação que circula nas redes sociais, classificando as informações como falsas e manifestamente desconformes com a realidade.
Segundo a empresa, não houve qualquer aumento salarial dos membros do Conselho de Administração.
A instituição rejeita categoricamente a alegação de que tenha sido aprovado ou efectuado um aumento da remuneração do presidente do Conselho de Administração e dos restantes membros, nos termos apresentados nas publicações que circulam online.
“As informações veiculadas sobre esta matéria não correspondem à realidade”, esclarece a empresa.
Desta forma, os valores apresentados na publicação viral como resultado de um alegado aumento salarial não podem ser considerados factos confirmados, uma vez que a própria entidade visada nega que tenha ocorrido qualquer aumento.
Publicação também apresenta informação incorrecta sobre responsável sindical
O Porto do Lobito esclareceu ainda que existe outro erro factual na informação que circula.
A publicação identifica uma determinada pessoa como “secretário da Comissão Sindical” da empresa.
Segundo a área de Comunicação Institucional do Porto Comercial do Lobito, essa caracterização está incorrecta.
A empresa esclarece que se trata de um ex-secretário da Comissão Sindical, que actualmente exerce funções de Inspector-Geral da instituição.
Para a empresa, esta incorrecção demonstra falta de rigor na verificação das informações antes da sua divulgação.
E os alegados salários de 121 mil, 150 mil e 610 mil kwanzas?
Neste ponto, é importante fazer uma distinção.
A publicação que circula apresenta diferentes valores salariais atribuídos a trabalhadores, directores e membros da administração. Contudo, o esclarecimento oficial disponibilizado pelo Porto do Lobito não confirma esses valores nem apresenta uma tabela salarial alternativa.
Assim, embora a empresa tenha negado especificamente a existência de qualquer aumento salarial dos membros do Conselho de Administração, o Verifica.ao não deve transformar essa negação numa confirmação dos valores salariais efectivamente praticados na empresa.
O que está documentalmente esclarecido pela entidade é que não houve o alegado aumento salarial apresentado na publicação.
Alegações sobre exoneração também carecem de confirmação
A informação viral menciona ainda uma suposta exoneração de uma responsável do Conselho de Administração por alegadamente ter facultado documentos confidenciais relacionados com a remuneração dos administradores.
O esclarecimento do Porto do Lobito disponibilizado ao Verifica.ao não confirma essa alegação.
Por isso, essa parte da publicação deve ser tratada como uma alegação não comprovada, e não como um facto.
Da mesma forma, não há, no esclarecimento apresentado pela empresa, confirmação independente dos documentos que alegadamente teriam servido de base à publicação.
Por que razão esta distinção é importante?
A existência de reivindicações salariais, reclamações laborais ou debates sobre as condições de trabalho numa empresa pública ou de interesse estratégico não constitui, por si só, prova de que tenha ocorrido um aumento salarial específico.
Neste caso, a alegação central da publicação — de que teria sido aprovado e efectuado um aumento que colocaria as remunerações do PCA e de outros administradores na ordem dos 12 milhões de kwanzas — foi expressamente negada pela entidade visada.
Além disso, a publicação contém pelo menos uma informação que a empresa identifica como incorrecta relativamente à função actualmente exercida por um dos intervenientes mencionados.
Veredicto do Verifica.ao: FALSO
É falsa a informação de que a Empresa Portuária do Lobito tenha aprovado e/ou efectuado um aumento salarial que elevasse para cerca de 12 milhões de kwanzas a remuneração mensal do PCA e dos demais membros do Conselho de Administração.
A própria Empresa Portuária do Lobito veio a público negar categoricamente a existência do alegado aumento, classificando as informações divulgadas como falsas e desconformes com a realidade.
A empresa corrigiu igualmente a identificação de um dos intervenientes mencionados na publicação, esclarecendo que o mesmo é ex-secretário da Comissão Sindical e actualmente exerce as funções de Inspector-Geral.
Quanto aos restantes valores salariais e às alegações sobre uma suposta exoneração, não foram confirmados pelo esclarecimento oficial analisado pelo Verifica.ao e, por isso, não devem ser apresentados como factos comprovados.
Fique atento ao Verifica.ao
Informações relacionadas com salários, dinheiro público, empresas estratégicas e alegadas regalias de gestores tendem a gerar grande repercussão nas redes sociais. Precisamente por isso, é fundamental confirmar a origem dos documentos e procurar a posição das instituições envolvidas antes de partilhar uma publicação.
O Verifica.ao continuará a acompanhar alegações de interesse público e a confrontá-las com fontes oficiais e evidências verificáveis.
Fique atento ao Verifica.ao. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que os cidadãos tenham acesso a informação precisa, confiável e verificada.
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