O Presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa Konda Marta, Daniel Afonso Neto, veio a público desmentir uma notícia publicada por vários portais, segundo a qual teria negado, durante a primeira audiência de um processo que corre no Tribunal da Comarca de Luanda, qualquer ligação do Comandante-Geral da Polícia Nacional, Francisco Monteiro Ribas da Silva, a terrenos ou a um condomínio localizado na Camama.
A notícia, publicada na sequência da audiência realizada na sexta-feira, 21 de Agosto, dava conta de que Daniel Afonso Neto, confrontado pelo tribunal com declarações anteriormente divulgadas nas redes sociais, teria afirmado que o Comandante-Geral não possuía terrenos na área em causa, nem seria proprietário de qualquer condomínio no local.
Daniel Afonso Neto nega ter feito essas declarações
Em reacção à publicação, o responsável da Konda Marta afirmou (via Club-K) que não proferiu as declarações que lhe foram atribuídas pelo jornal.
Segundo Daniel Afonso Neto, a matéria “não corresponde à verdade”, acrescentando que o Na Mira do Crime (plataforma que veiculou a notícia inicialmente) não teria estado presente na audiência, pelo que, na sua perspectiva, não poderia ter reproduzido correctamente os seus depoimentos.
O responsável da Konda Marta sustenta que, perante o tribunal, manteve as denúncias anteriormente apresentadas publicamente e voltou a apontar o envolvimento de determinadas figuras na alegada ocupação de terrenos que a empresa reivindica.
Neto afirmou ainda ter contestado, durante a audiência, uma alegada declaração do Comandante-Geral segundo a qual não o conheceria.
Empresário mantém acusações sobre alegada ocupação de terrenos
No seu desmentido, Daniel Afonso Neto reafirmou as acusações que têm estado na origem do processo judicial.
Segundo o responsável da Konda Marta, determinadas figuras ligadas às estruturas militar e policial teriam, na sua versão dos acontecimentos, desempenhado um papel na alegada protecção de pessoas que ocupavam terrenos na zona em questão.
Neto mencionou ainda outros responsáveis e reiterou a acusação de que terrenos teriam sido cedidos a um cidadão libanês.
O PCA da Konda Marta voltou igualmente a afirmar que o condomínio que associa ao Comandante-Geral da Polícia Nacional seria controlado por dois cidadãos que identificou publicamente.
Estas alegações constituem a versão apresentada por Daniel Afonso Neto e não devem ser tratadas como factos comprovados enquanto não forem judicialmente demonstradas.
Questionada a origem da notícia
Daniel Afonso Neto afirmou também ter contactado a redacção do Na Mira do Crime para questionar o conteúdo da publicação.
Segundo o seu relato, o jornal teria informado que a matéria foi produzida alegadamente “a pedido do Tribunal”.
O responsável da Konda Marta considerou esta alegação particularmente preocupante e afirmou que, caso venha a ser confirmada, poderá levantar questões sobre a imparcialidade do processo judicial.
Não há, contudo, no material apresentado pelo responsável da Konda Marta, documentação que comprove que o Tribunal da Comarca de Luanda tenha solicitado ou encomendado a publicação da notícia. Por essa razão, essa alegação deve ser tratada como uma denúncia e não como um facto confirmado.
O que está efectivamente em causa?
O processo judicial envolve declarações anteriormente atribuídas a Daniel Afonso Neto sobre uma alegada ocupação de terrenos na zona da Camama e a suposta participação de determinadas figuras públicas nesse processo.
A primeira versão divulgada pelo Na Mira do Crime apresenta uma narrativa segundo a qual o arguido teria recuado ou desmentido, em tribunal, parte das acusações anteriormente feitas.
Daniel Afonso Neto contesta essa versão e afirma precisamente o contrário: diz ter reafirmado as denúncias durante a audiência.
Assim, a existência de versões contraditórias sobre o que foi efectivamente declarado em tribunal exige cautela na reprodução das informações, sobretudo enquanto não estiver disponível uma transcrição oficial ou outro documento judicial que permita confirmar o conteúdo exacto das declarações prestadas.
Verifica.ao recomenda cautela
O desmentido apresentado por Daniel Afonso Neto não determina, por si só, a veracidade das acusações que estão na origem do processo, nem permite concluir que a primeira notícia tenha sido deliberadamente fabricada. Trata-se de duas versões diferentes sobre o conteúdo de uma audiência judicial.
A confirmação definitiva sobre o que foi efectivamente dito em tribunal deverá basear-se em registos oficiais da audiência, documentos processuais ou outras fontes independentes e verificáveis.
O Verifica.ao continuará a acompanhar o caso e a distinguir entre alegações, desmentidos e factos comprovados, evitando apresentar acusações ainda sob apreciação judicial como verdades definitivas.
Fique atento ao Verifica.ao. A nossa missão é combater a desinformação e contribuir para que os cidadãos tenham acesso a informação precisa, confiável e verificada.
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