Nos últimos dias tem circulado nas redes sociais e em várias plataformas informativas a alegação de que os novos passaportes electrónicos angolanos estariam a ser recusados em vários países, levando muitos internautas a aconselharem os cidadãos a utilizarem os antigos passaportes manuais.
A narrativa ganhou ainda mais repercussão após uma publicação divulgada pela plataforma digital “Lil Pasta News”, onde um cidadão angolano alegou ter sido constrangido nos serviços migratórios em Manila, afirmando que o seu passaporte electrónico não teria sido reconhecido pelas autoridades de imigração.
Perante o elevado nível de partilhas e dúvidas levantadas pelos internautas, a equipa do Verifica.ao investigou o caso e concluiu que a informação é falsa.
Ministério do Interior desmente alegações
Em esclarecimento público, o Ministério do Interior de Angola considerou infundadas as informações que circulam nas redes sociais sobre uma suposta rejeição dos novos passaportes electrónicos emitidos pelo Serviço de Migração e Estrangeiros.
Segundo o porta-voz do Ministério do Interior, Wilson dos Santos, até ao momento não existe qualquer registo oficial de rejeição dos novos documentos por parte de embaixadas ou autoridades migratórias estrangeiras.
“Não há registros oficiais comunicados às estruturas oficiais do Ministério do Interior, propriamente o SME, de que o nosso passaporte electrónico esteja a ser rejeitado por países ao redor do mundo”, afirmou.
O responsável acrescentou ainda que “mais de 50 mil passaportes electrónicos angolanos já se encontram em circulação e não há qualquer comunicação formal sobre problemas de validação internacional dos documentos”.
Documento segue padrões internacionais
De acordo com o Ministério do Interior, os novos passaportes electrónicos angolanos estão em conformidade com os padrões internacionais definidos pela Organização da Aviação Civil Internacional.
Os documentos incorporam chips biométricos, dados de impressão digital, reconhecimento facial e sistemas avançados de criptografia e segurança digital.
Segundo as autoridades, a tecnologia utilizada é semelhante à adoptada por vários países da União Europeia e pelos Estados Unidos, reforçando a segurança contra falsificação e acessos indevidos aos dados dos cidadãos.
Implementação começou em 2026
Angola iniciou oficialmente a emissão dos novos passaportes electrónicos em Março de 2026, após a apresentação pública do documento em Dezembro de 2025.
O processo foi conduzido pelo Serviço de Migração e Estrangeiros em parceria com a empresa húngara ANY Security Printing Company, responsável pela produção e fornecimento dos documentos.
Relatos isolados não provam rejeição global
A investigação do Verifica.ao apurou que um eventual relato individual em serviços migratórios estrangeiros, como o caso denunciado pela plataforma, não comprova rejeição oficial do documento e nem significa que os passaportes electrónicos angolanos sejam inválidos internacionalmente.
Segundo a nossa invetsigação, podem haver situações pontuais em aeroportos por falhas momentâneas de leitura, necessidade de validação manual ou desconhecimento inicial de novos modelos documentais por alguns agentes migratórios.
No entanto, isso é diferente de uma rejeição oficial do passaporte por parte de Estados estrangeiros.
Conclusão
É falsa a alegação de que os novos passaportes electrónicos angolanos estejam a ser rejeitados em vários países.
O Ministério do Interior esclareceu que não existe qualquer registo oficial de rejeição, os documentos seguem normas internacionais e milhares de cidadãos já utilizam os novos passaportes em viagens internacionais sem impedimentos oficialmente reportados.
O Verifica.ao alerta que conteúdos virais relacionados com documentos oficiais, viagens e imigração tendem a gerar medo e confusão entre os cidadãos, sobretudo quando são divulgados sem confirmação institucional.
Antes de partilhar informações sensíveis, verifique sempre as fontes oficiais e consulte órgãos credíveis de verificação de factos.
O combate à desinformação começa com a verificação dos factos. O Verifica.ao continua comprometido em garantir que os cidadãos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.
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