Circula nas redes sociais e em grupos do WhatsApp um vídeo acompanhado da alegação de que polícias e membros da sociedade civil de Marrocos teriam atacado pessoas negras, sobretudo senegaleses, após a derrota de Marrocos na última final da Taça Africana das Nações (CAN).

Segundo a narrativa associada ao vídeo, os episódios mostrariam uma revolta generalizada contra cidadãos negros, com relatos de violência extrema e apelos alarmistas que falam em centenas de mortos, chegando a afirmar que Marrocos teria declarado não querer mais pessoas negras no país.
A equipa do Verifica.ao investigou e concluiu que a informação que acompanha o vídeo é falsa.
O que mostra realmente o vídeo
O vídeo em circulação não tem qualquer relação com a CAN, com a seleção do Senegal ou com alegadas represálias após a final da competição.
As imagens são antigas e remontam ao ano de 2022, estando associadas a um episódio amplamente documentado de migração irregular ocorrido na fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol de Melilla.
Contexto real do vídeo
Incidente de Melilla – 24 de junho de 2022
O episódio retratado no vídeo corresponde a um dos mais graves acontecimentos migratórios registados na região:
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Ocorreu na manhã de 24 de junho de 2022, na fronteira entre Marrocos e Melilla (território espanhol no norte de África);
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Entre 1.500 e 2.000 migrantes, maioritariamente oriundos da África subsaariana, tentaram forçar a passagem pela cerca fronteiriça;
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Houve confrontos entre migrantes e forças de segurança marroquinas e espanholas;
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Pelo menos 23 migrantes morreram, segundo dados oficiais (organizações de direitos humanos apontaram números mais elevados);
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Dezenas de migrantes e agentes de segurança ficaram feridos.
Este acontecimento foi amplamente noticiado por meios de comunicação internacionais e descrito como uma crise humanitária, tendo motivado pedidos de investigação sobre o uso da força pelas autoridades.
O que é falso na narrativa viral
Não há qualquer evidência de ataques motivados pela final da CAN
Não houve perseguições generalizadas contra senegaleses ou pessoas negras após a competição
Não existem registos oficiais ou credíveis de centenas de mortos
Marrocos não declarou rejeição a cidadãos negros ou africanos
A associação do vídeo a um suposto conflito pós-CAN constitui uma manipulação do contexto, com potencial para gerar pânico e tensão entre comunidades.
Conclusão
A informação é falsa. O vídeo partilhado nas redes sociais não é recente e não está ligado a eventos desportivos, mas sim a um episódio migratório ocorrido em 2022 na fronteira de Melilla. A narrativa alarmista que o acompanha não corresponde aos factos verificados.
O Verifica.ao reforça a importância de confirmar a origem, a data e o contexto de vídeos antes de os partilhar.
Continue atento ao Verifica.ao, a plataforma dedicada a combater a desinformação e a garantir que todos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.
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