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Rádio Despertar recebe financiamento do Estado angolano

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Circula nas redes sociais uma alegação segundo a qual a Rádio Despertar viveria de impostos dos angolanos, à semelhança dos órgãos de comunicação social estatais. A narrativa ganhou força após uma publicação da plataforma Elite Post, relacionada com a reação do político e comentador da TV Zimbo Lindo Bernardo Tito, dirigente do PRA-JA Servir Angola.

Segundo a publicação, Lindo Tito comentou:

“Porque o senhor e outros não falam de uma rádio privada que também ‘vive’ dos nossos impostos e dissemina ódio entre os angolanos. Que haja paciência!”

Embora o comentador não tenha mencionado explicitamente o nome do órgão, muitos internautas interpretaram a declaração como uma referência indireta à Rádio Despertar, meio que Lindo Tito já criticou em ocasiões anteriores. Diante disso, leitores solicitaram ao Verifica.ao a verificação da informação.

A equipa do Verifica.ao investigou e concluiu que a informação é falsa.

O que apurou o Verifica.ao?

Em contacto telefónico com a redacção do Verifica.ao, um responsável da Rádio Despertar negou categoricamente qualquer financiamento estatal:

“As palavras de Lindo Bernardo Tito não correspondem à verdade. Basta verificar o Orçamento Geral do Estado (OGE) ou os relatórios do Ministério da Comunicação Social para confirmar que a Rádio Despertar nunca recebeu dinheiro do Estado.”

Segundo a mesma fonte, a rádio nunca beneficiou de apoios estatais, nem mesmo de publicidade institucional:

“A Rádio Despertar é, inclusive, uma das mais prejudicadas quando o Governo distribui equipamentos. Nunca recebemos nada do Estado. Nem sequer temos acesso à publicidade institucional, que seria uma forma indireta e legítima de apoio.”

O que dizem os registos públicos?

As pesquisas realizadas pelo Verifica.ao mostram que:

  • A Rádio Despertar é um meio privado, não integrado no sistema de comunicação social do Estado;

  • Não há qualquer registo da rádio como beneficiária de verbas do OGE;

  • Relatórios públicos que detalham os elevados custos das empresas públicas de comunicação social (como a Rádio Nacional de Angola) não incluem a Rádio Despertar;

  • A estação é frequentemente descrita como independente e historicamente associada à UNITA, sendo vista como sucessora da antiga VORGAN.

Pelo contrário, há múltiplos registos sobre as dificuldades financeiras e legais enfrentadas por rádios independentes em Angola, sobretudo aquelas que mantêm uma linha editorial crítica ao Governo.

Contexto do sector da comunicação social

Especialistas e relatórios sobre media em Angola indicam que:

  • Órgãos estatais recebem subsídios diretos do Estado, financiados pelos contribuintes;

  • Meios privados e independentes enfrentam restrições de acesso à publicidade institucional, dificuldades de licenciamento e limitações financeiras;

  • A Rádio Despertar enquadra-se neste segundo grupo, sem evidências de apoio financeiro estatal.

Conclusão do Verifica.ao

FALSO

  • Não há provas de que a Rádio Despertar receba financiamento do Estado angolano;

  • A rádio não consta nos relatórios de meios financiados pelo OGE;

  • Trata-se de um órgão privado, com dificuldades próprias e sem subsídios públicos conhecidos.

Fique atento ao Verifica.ao

Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que os cidadãos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas. Antes de partilhar alegações sobre financiamento público, confirme sempre as fontes e os dados oficiais.

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