Está a circular nas redes sociais uma mensagem viral a afirmar que a Namíbia, sob a liderança da nova presidente Netumbo Nandi-Ndaitwah, teria encerrado oficialmente todos os contratos de petróleo e gás com os Estados Unidos, assumido o controlo total da indústria e reduzido drasticamente os preços dos combustíveis. A mensagem, que tem sido amplamente partilhada no Twitter, Facebook e WhatsApp, apresenta a decisão como um gesto de soberania energética, elogiando a presidente por “movimentos ousados pelo seu povo“.
No entanto, após uma verificação rigorosa, a equipa do Verifica.ao concluiu que esta alegação é falsa.
O que é verdadeiro?
É verdade que a presidente Nandi-Ndaitwah, empossada a 21 de março de 2025 como a primeira mulher a liderar a Namíbia, anunciou uma reestruturação governamental que incluiu a transferência da gestão da indústria emergente de petróleo e gás para o seu gabinete. Esta medida tem como objectivo maximizar os benefícios para os namibianos, sobretudo face à futura produção de petróleo no Orange Basin, prevista para 2029-2030.
O que é falso?
Apesar da reorganização da estrutura governativa, não existem provas de que a Namíbia tenha encerrado acordos com empresas petrolíferas estrangeiras, incluindo com os Estados Unidos. Na realidade, o país continua a cooperar com várias multinacionais, como a ExxonMobil, que mantém operações activas através da Namcor (companhia petrolífera estatal namibiana), com planos de perfuração até 2025.
Além disso, não houve qualquer anúncio oficial de uma redução de 50% nos preços dos combustíveis. De acordo com os dados publicados pelo Ministério das Minas, Energia e Indústria da Namíbia, em Abril de 2025, os preços fixaram-se em:
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Gasolina: N$20,67/litro
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Diesel 50ppm: N$20,62/litro
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Diesel 10ppm: N$20,72/litro
Estes preços representam uma redução de 50 a 80 cêntimos por litro, em comparação com os valores de Março. Contudo, não correspondem a um corte de 50%, como afirma falsamente a mensagem viral.
Nos meses anteriores, os combustíveis na Namíbia registaram oscilações em linha com o mercado internacional e com a taxa de câmbio do dólar namibiano, mas nenhuma redução extrema ou abrupta como a que é alegada nas redes sociais.
Conclusão
A alegação de que a Namíbia terminou todos os contratos de petróleo e gás com os Estados Unidos e cortou os preços dos combustíveis em 50% é falsa. Apesar de alterações legítimas na gestão do sector energético, a colaboração com empresas estrangeiras mantém-se activa, e as variações nos preços dos combustíveis têm sido moderadas e justificadas por factores económicos globais.
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