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Oficiais angolanos da Guarda Fronteira torturam imigrantes da RDC em Angola

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Está a ser amplamente partilhado nas redes sociais, sobretudo em grupos de WhatsApp, um vídeo divulgado pela página Nsinsa Reflexões. Nele, vêem-se duas pessoas a serem brutalmente agredidas por oficiais fardados.

A legenda que acompanha o vídeo afirma que se trata de imigrantes da República Democrática do Congo (RDC) em Angola, alegadamente torturados por agentes da Guarda Fronteira angolana.

A equipa do Verifica.ao analisou o vídeo e concluiu que a informação é falsa.

O que o Verifica.ao apurou?

1) Os oficiais não são angolanos — são moçambicanos

Uma análise forense e aprofundada das imagens permitiu constatar que:

  • O sotaque e a gíria utilizada pelos oficiais não correspondem ao português falado em Angola;

  • A farda e, sobretudo, o modelo de boina usada pelos militares, não correspondem ao padrão da Guarda Fronteira angolana.

Os elementos visuais e sonoros coincidem com o equipamento e a linguagem usados por forças de fronteira moçambicanas.

2) As vítimas não são cidadãos da RDC

Outro elemento que desmente a alegação é o idioma falado pelas pessoas agredidas no vídeo.

Não se trata de lingala, uma das línguas mais faladas na RDC.

A investigação mostra que são imigrantes malawianos, e não congolenses.

3) O vídeo é de Moçambique, não de Angola

Uma pesquisa mais profunda revelou que o caso retratado no vídeo está relacionado com grupos de imigrantes do Malawi que tentaram atravessar a fronteira para Moçambique.

Segundo especialistas e organizações que acompanham a rota de migração Malawi–Moçambique, a fronteira entre os dois países é frequentemente palco de:

  • detenções arbitrárias,

  • violência física,

  • extorsão,

  • condições degradantes para migrantes.

Alguns investigadores descrevem a travessia para Moçambique como “um inferno para os imigrantes malawianos” devido à vulnerabilidade extrema em que se encontram.

Porque a alegação é FALSA?

  • Os militares no vídeo não são angolanos — a farda, a boina e o sotaque confirmam tratar-se de oficiais moçambicanos.

  • As pessoas maltratadas não são da RDC — não falam lingala, mas sim línguas do Malawi.

  • O incidente não ocorreu em território angolano.

  • O contexto real do vídeo está relacionado com migração irregular Malawi–Moçambique, e não com Angola.

Conclusão

A alegação que circula nas redes sociais, afirmando que angolanos da Guarda Fronteira torturam imigrantes da RDC, não corresponde à verdade.

A classificação correta é FALSO.

Fique atento ao Verifica.ao

Num cenário em que vídeos antigos ou de outros países são facilmente manipulados para criar narrativas falsas, é essencial verificar antes de partilhar.

O Verifica.ao está empenhado em combater a desinformação e garantir que todos tenham acesso a factos precisos, confiáveis e rigorosamente verificados.

Sempre que tiver dúvidas, conte connosco.

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