Na última edição do programa Jovens em Destaque, exibido pela TV Zimbo, o especialista Morato Custódio afirmou que “5 milhões de crianças estão fora do ensino escolar em Angola”, com base nos dados mais recentes.
A declaração gerou reacções nas redes sociais, levando vários internautas a solicitarem ao Verifica.ao a verificação da informação.
Após análise de dados oficiais e fontes internacionais, a equipa do Verifica.ao concluiu que a afirmação é verdadeira, mas com ressalvas.
O que dizem os dados oficiais
Censo 2024 — Instituto Nacional de Estatística
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, divulgados no âmbito do Censo 2024:
Órgãos de imprensa nacionais, com base nos dados do Censo, apontam para números na ordem dos 4 a 4,5 milhões de crianças e jovens fora da escola.
O que dizem organizações internacionais
Entidades como a UNESCO e o UNICEF não apresentam, nos seus relatórios mais recentes sobre Angola, um número absoluto de 5 milhões de crianças fora do sistema.
Em geral:
-
Trabalham com taxas e percentagens de escolarização;
-
O UNICEF Angola menciona que cerca de 17% das crianças ainda estão fora do sistema de ensino (indicando melhorias face a anos anteriores), sem converter directamente esse dado em número absoluto nos seus canais oficiais.
Onde está a ressalva?
O número confirmado por dados públicos recentes situa-se entre 4,0 e 4,5 milhões de crianças e jovens fora do sistema de ensino.
A referência a 5 milhões pode resultar de um arredondamento por excesso ou de uma estimativa ampliada.
No entanto, não corresponde exactamente aos dados oficiais mais recentes conhecidos, que apontam para valores ligeiramente inferiores.
Conclusão do Verifica.ao
A afirmação de que “5 milhões de crianças estão fora do ensino escolar em Angola” é VERDADEIRA, MAS COM RESSALVAS.
Os dados oficiais do Censo 2024 confirmam que o número é elevado e ronda os 4 a 4,5 milhões, mas não há confirmação oficial exacta do valor de 5 milhões.
O Verifica.ao reforça que números estatísticos exigem rigor e contextualização, sobretudo quando se tratam de dados sensíveis ligados à educação e ao futuro do país.
Continuamos a trabalhar para combater a desinformação e garantir que os cidadãos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.
Deixe um comentário