Nos últimos dias, circularam nas redes sociais e em grupos de WhatsApp um vídeo mostrando que o ministro das Relações Exteriores de Angola, Teté António, teria sido impedido de falar português durante uma reunião com a União Europeia por não saber outras línguas. A situação teria gerado constrangimento e levantado críticas ao governo angolano, com algumas vozes a insinuar que o ministro estaria mal preparado para representar o país em fóruns multilaterais.
A equipa do Verifica.ao investigou e confirma que a informação de que o ministro Teté António foi impedido de usar o português durante uma reunião com representantes da União Europeia é verdadeira — mas a alegação de que isso se deve ao facto de não dominar outras línguas é falsa.
O que aconteceu?
Durante um encontro oficial entre Angola e a União Europeia, o ministro das Relações Exteriores viu-se forçado a utilizar outra língua que não o português, devido à ausência de tradutores disponíveis para o idioma de Camões. A situação causou perplexidade e abriu espaço para acusações e desinformação nas redes.
De acordo com fontes diplomáticas e análises especializadas consultadas pelo Verifica.ao, esta limitação ocorreu por razões logísticas e protocolares — e não por qualquer falha do ministro em comunicar-se em línguas estrangeiras.
O português é ou não uma língua oficial da União Europeia?
Sim. O português é uma das 24 línguas oficiais e de trabalho da União Europeia, o que garante a tradução de documentos oficiais, legislação e comunicações institucionais. Além disso, todos os cidadãos da UE (incluindo portugueses) têm o direito de comunicar com as instituições europeias na sua língua oficial.
As 24 línguas oficiais da UE são:
Alemão, búlgaro, croata, dinamarquês, eslovaco, esloveno, espanhol, estónio, finlandês, francês, grego, húngaro, inglês, irlandês, italiano, letão, lituano, maltês, neerlandês, polaco, português, romeno, sueco e checo.
Nota: O inglês continua a ser língua oficial da UE, mesmo após o Brexit, porque é idioma oficial da Irlanda e de Malta.
Contudo, em contextos informais, técnicos ou multilaterais, como fóruns com países terceiros (fora da UE), nem sempre se garante a tradução simultânea para todas as línguas oficiais, dependendo da natureza da reunião, da antecedência com que a tradução foi solicitada e da disponibilidade de intérpretes.
Então por que o português não estava disponível?
As causas mais prováveis para a ausência de interpretação em português nesta reunião específica incluem:
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Falta de solicitação atempada pela delegação angolana — Situação possível e que, segundo diplomatas contactados pelo Verifica.ao, pode ter resultado numa falha de protocolo.
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Reunião fora de sede (Bruxelas) ou organizada com pouca antecedência, o que dificultaria a logística de tradução.
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Prioridade dada a línguas de trabalho mais comuns, como o inglês ou francês, por motivos de eficiência e recursos limitados.
Este tipo de situação não é inédito e já envolveu representantes de outros países lusófonos. Por exemplo:
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Em 2021, durante uma cimeira internacional da ONU, representantes de Moçambique também enfrentaram ausência de tradução para português.
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Em sessões do Conselho de Segurança da ONU, muitas vezes diplomatas de países lusófonos optam por intervir em inglês ou francês para garantir compreensão imediata, mesmo quando há interpretação.
O ministro Teté António fala outras línguas?
Sim. Ao contrário do que foi alegado, o ministro Teté António tem um domínio avançado de vários idiomas, como consta na sua biografia oficial no portal do Governo. O ministro:
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Fala e escreve fluentemente:
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Português
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Inglês
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Francês
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Russo
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Kikongo
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Lingala
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Compreende o espanhol
Além disso, tem uma longa carreira diplomática, com passagens em países de língua inglesa, como os Estados Unidos e Etiópia, e em contextos multilíngues como a União Africana e as Nações Unidas.
Podes ver aqui o Ministro falando fluentemente o inglês.
Conclusão
É verdade que o ministro Teté António foi impedido de usar português numa reunião com a União Europeia, por indisponibilidade de tradutores para o idioma.
É falso que o ministro não saiba outras línguas. Teté António fala fluentemente inglês, francês e russo, além de outras línguas nacionais angolanas e internacionais.
O caso revela uma falha de protocolo e gestão de tradução, não uma incapacidade do ministro. Situações deste género são comuns em organismos internacionais, e reforçam a necessidade de planeamento antecipado e de maior valorização da língua portuguesa nos fóruns globais.
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Muito esclarecedor e preciso, consultei outras fontes, vi vedeis e a explicação aqui foi a mais precisa possível! Parabéns!