Está a circular nas redes sociais, com especial incidência em grupos de WhatsApp, uma mensagem atribuída ao Ministério da Saúde que alerta para uma alegada nova variante do coronavírus, denominada “COVID-Omicron XBB”, descrita como altamente mortal, difícil de detectar e sem sintomas clássicos como tosse ou febre.

Na mensagem, recomenda-se ainda o uso generalizado de máscara, sob o argumento de que esta variante seria “cinco vezes mais virulenta do que a Delta” e com maior taxa de mortalidade.
A equipa do Verifica.ao analisou a alegação e conclui que a informação é falsa.
Verificação dos factos
Em contacto directo com o departamento de comunicação do Ministério da Saúde, foi confirmado ao Verifica.ao que:
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Não foi emitido qualquer comunicado oficial com esse teor;
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A mensagem não consta de nenhuma plataforma digital oficial do Ministério;
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O conteúdo em circulação não corresponde a informação científica validada, nem a orientações institucionais em vigor.
Ou seja, trata-se de uma mensagem alarmista, falsa e indevidamente atribuída a uma entidade pública, o que constitui um padrão recorrente de desinformação em matéria de saúde.
O que se sabe, de facto, sobre a variante XBB
A designação XBB refere-se a uma sub-linhagem da variante Ómicron, identificada pela primeira vez em 2022 e resultante da recombinação de duas sub-variantes anteriores.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de autoridades sanitárias internacionais:
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A XBB não é uma nova variante, nem surgiu recentemente;
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Não há evidência científica de que seja mais letal do que variantes anteriores, como a Delta;
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Os sintomas associados à XBB não diferem substancialmente dos de outras sub-variantes da Ómicron;
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A alegação de que “não provoca tosse nem febre” ou de que “afecta directamente os pulmões sem passar pela nasofaringe” não tem base científica.
As vacinas continuam a oferecer protecção eficaz contra formas graves da doença, incluindo para as sub-variantes da Ómicron.
A verdade é que o mesmo texto circula em vários idiomas e já foi atribuído a diferentes autores. Já foi verificado por plataformas de fact-checking em anos anteriores e aliás, em 2024, a Organização Mundial da Saúde negou a sua autoria.
À data, a OMS referiu, num relatório, que não havia evidenciais que revelassem que a variante fosse mais mortífera.
Um padrão recorrente de desinformação
Desde o início da pandemia, têm circulado inúmeras mensagens falsas sobre o coronavírus, muitas delas:
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Atribuídas falsamente a ministérios da saúde ou médicos;
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Com listas de sintomas inventados ou distorcidos;
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Com afirmações alarmistas sobre mortalidade extrema ou novas “cepas secretas”;
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Difundidas sobretudo via WhatsApp e redes sociais, sem qualquer validação científica.
Este tipo de conteúdo visa gerar medo, confusão e desconfiança nas instituições, sendo particularmente perigoso em contextos de saúde pública.
Conclusão
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O Ministério da Saúde não emitiu o comunicado em causa;
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A mensagem contém informações cientificamente incorrectas;
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A descrição da variante XBB é enganosa e alarmista.
Classificação do Verifica.ao: FALSO
Atenção à desinformação em saúde
O Verifica.ao reforça que informações sobre saúde pública devem ser confirmadas exclusivamente junto de fontes oficiais e científicas credíveis, como:
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Ministério da Saúde;
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Organização Mundial da Saúde (OMS);
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Direcções provinciais de saúde pública.
Fique atento ao Verifica.ao. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que a população tenha acesso a informações precisas, fiáveis e devidamente verificadas, especialmente em matérias sensíveis como a saúde.
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