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Ignorar desinformação no digital não é opção, alerta especialista

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A plataforma de literacia mediática “Educar no Digital” lançou um guia prático sobre desinformação, defendendo a importância de abordar o tema com crianças e jovens e alertando que ignorá-lo não é opção.

Em entrevista a Lusa, a mentora da plataforma de literacia digital “Educar no Digital”, Sofia Macedo, considerou que ignorar o problema não é uma opção, uma vez que os mais novos não só consomem informação ‘online’ como também a partilham nas redes sociais.

“A desinformação faz, hoje, parte do ambiente digital em que vivemos. Ignorá-la não é uma opção. Falar sobre este tema com crianças e jovens é essencial”, afirmou.

Segundo Sofia Macedo, distinguir conteúdos verdadeiros de informação manipulada já representa um desafio para adultos e torna-se ainda mais difícil para crianças e adolescentes, que estão numa fase de desenvolvimento do pensamento crítico.

Por isso, defendeu que é fundamental alertar os mais novos para o fenómeno e dar-lhes ferramentas que os ajudem a “navegar pela informação de forma mais consciente e crítica”.

Neste sentido, o guia pretende apoiar pais e educadores a compreender melhor a forma como a informação circula nas redes sociais e a promover o diálogo com crianças e jovens sobre o tema.

Nas plataformas digitais, explicou a responsável, a informação surge frequentemente misturada com entretenimento, opiniões ou publicidade, o que dificulta a identificação do que é efetivamente informação.

Além disso, os algoritmos tendem a reforçar conteúdos semelhantes aos que os utilizadores já consomem, criando “bolhas informativas que acabam por amplificar ideias e visões mais extremadas”, afirmou.

Desta forma, a responsável considerou que pais e professores devem procurar compreender o universo digital em que os jovens se movimentam.

“É perfeitamente legítimo que um pai ou professor não tenha interesse em ter um perfil nas redes sociais, partilhar imagens no Instagram ou fazer danças no TikTok. Porém, a partir do momento em que os mais novos vivem esses universos, não os podemos ignorar”, disse.

Sofia Macedo alertou também para a importância de não desvalorizar a relevância que as redes sociais têm na vida dos jovens.

“Quando os adultos ridicularizam ou ignoram isso, perdem uma oportunidade importante de diálogo”, referiu.

Entre as estratégias sugeridas está o estímulo ao pensamento crítico através de perguntas simples, como quem publicou determinada informação, com que intenção ou quem pode beneficiar com a sua divulgação.

O guia apontou ainda outras medidas, como o uso de controlos parentais, o adiamento da criação de contas nas redes sociais ou a definição de regras de bem-estar digital em casa.

A responsável alertou igualmente para o impacto crescente da Inteligência Artificial (IA) na criação de conteúdos manipulados.

“A IA torna mais fácil criar conteúdos manipulados, como vídeos, imagens ou vozes falsas, que podem parecer extremamente credíveis”, afirmou.

Segundo Sofia Macedo, ferramentas que antes exigiam conhecimentos técnicos estão agora acessíveis a qualquer pessoa, o que aumentou a capacidade de produzir e disseminar desinformação em larga escala.

Tecnologias como os chamados ‘deepfakes’ (conteúdo manipulado) podem também ter impactos significativos na forma como as pessoas interpretam acontecimentos, acrescentou.

Assim, o objetivo do guia é contribuir para um maior diálogo entre famílias, educadores e jovens sobre o fenómeno da desinformação.

“Se este guia conseguir colocar mais pessoas a falar e a refletir sobre o tema, já será um grande passo”, rematou.

O guia “Desinformação – Guia Prático para Pais e Professores” está disponível em: https://www.educarnodigital.pt/ebooks.

A plataforma portuguesa de literacia mediática “Educar no Digita” visa promover o uso consciente e crítico das redes sociais e da tecnologia.

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