Circula nas redes sociais e em vários grupos do WhatsApp a alegação de que o Governo de Angola teria entregue as acções da operadora UNITEL ao empresário Silvestre Tulumba, descrito na publicação como alegado “testa-de-ferro” da Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço.
O conteúdo, cuja fonte inicial é atribuída à plataforma MIDIANEWSGRUPOS, apresenta a suposta operação como “um movimento silencioso, mas explosivo dentro do aparelho de Estado”, dando como certa uma transferência privada das participações da empresa.
A equipa do Verifica.ao analisou a informação e concluiu que a alegação é falsa.
O que apurámos
Nacionalização das participações privadas em 2022
Em Outubro de 2022, o Estado angolano assumiu as participações privadas da UNITEL que pertenciam à Vidatel (associada a Isabel dos Santos) e à Geni (ligada a Leopoldino “Dino”).
Desde então, o capital passou para a esfera pública, com o Estado a deter o controlo total da empresa.
Estrutura actual de controlo da UNITEL
Actualmente, a UNITEL é controlada pelo Estado angolano através de:
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Sonangol
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Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE)
Estes dois organismos são os únicos referidos em comunicados oficiais, documentos públicos e cobertura da imprensa económica nacional e internacional como detentores do capital da empresa.
Não existe qualquer referência oficial a Silvestre Tulumba como accionista da UNITEL.
Privatização parcial prevista — mas via mercado
Existe, de facto, um Despacho Presidencial de Agosto de 2024 que autoriza a privatização parcial de 15% da UNITEL, através de:
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Oferta Pública Inicial (IPO)
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Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA)
Este processo insere-se no Programa de Privatizações (ProPriv) e prevê ainda:
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Reserva de cerca de 2% das acções para trabalhadores e membros dos órgãos sociais
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Colocação das acções no mercado, de forma transparente e regulamentada
Não está prevista qualquer transferência directa ou privada de acções a empresários individuais.
Calendário flexível e adiamentos
Embora inicialmente apontada para meados de 2025, a entrada da UNITEL em bolsa tem sofrido reajustes de calendário, com algumas projecções a apontarem agora para 2025–2026.
O próprio IGAPE e o Ministério das Finanças têm reiterado que o ritmo do processo depende das condições de mercado e da estruturação da operação.
O que torna a alegação falsa
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Não existe anúncio oficial do Governo sobre entrega de acções da UNITEL a Silvestre Tulumba
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Não há publicação no Diário da República que sustente essa alegação
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Não existem comunicados do IGAPE, do Ministério das Finanças, da UNITEL ou da BODIVA a confirmar qualquer transacção desse tipo
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O artigo limita-se a especulações, apresentadas como factos consumados, sem provas documentais
Todos os contornos da privatização da UNITEL têm sido amplamente divulgados pelos canais oficiais do Estado angolano, e nenhuma dessas fontes confirma a narrativa que circula nas redes sociais.
Classificação: FALSO
A alegação de que o Governo angolano entregou as acções da UNITEL ao empresário Silvestre Tulumba não tem qualquer base factual e contradiz frontalmente os documentos oficiais e o quadro legal em vigor.
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