Viralizou nas redes sociais e em grupos do WhatsApp um excerto da última edição do programa Jovens em Destaque, exibido pela TV Zimbo, no qual o cantor Cleyton M afirma que “os jovens angolanos não têm capacidade de adquirir conhecimento porque são autistas de nível 6”.
A declaração gerou forte repercussão online, sobretudo pela referência a um suposto “nível 6” de autismo. Vários internautas solicitaram ao Verifica.ao a verificação da existência dessa classificação.
A nossa equipa investigou e concluiu que a alegação é falsa.
Como o autismo é oficialmente classificado?
O autismo é denominado clinicamente como Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
Classificação médica actual
O manual de diagnóstico utilizado internacionalmente — o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, publicado pela American Psychiatric Association — não reconhece seis níveis de autismo.
Desde 2013, com a publicação do DSM-5, os diagnósticos anteriormente separados (como Síndrome de Asperger, Autismo clássico e PDD-NOS) passaram a integrar um único espectro: Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
Níveis de gravidade reconhecidos actualmente
O DSM-5 classifica o TEA em três níveis, com base no grau de apoio necessário:
Nível 1 — Requer apoio
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Dificuldades leves na comunicação e interação social;
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Alguma necessidade de suporte;
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Pode ser informalmente chamado de “autismo leve”.
Nível 2 — Requer apoio substancial
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Dificuldades mais evidentes na comunicação;
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Interferência moderada no funcionamento diário;
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Necessita de suporte regular.
Nível 3 — Requer apoio muito substancial
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Desafios significativos na comunicação e interação;
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Necessita de apoio intensivo para actividades do dia-a-dia.
Não existe qualquer classificação médica reconhecida como “nível 6”.
O que é o autismo?
O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afecta principalmente:
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A comunicação;
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A interação social;
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O comportamento (incluindo padrões repetitivos ou interesses restritos).
O termo “espectro” é utilizado porque a condição manifesta-se de forma diversa e com diferentes níveis de necessidade de apoio.
Especialistas alertam que o uso inadequado de termos médicos pode contribuir para estigmatização e desinformação.
Conclusão do Verifica.ao
É FALSA a alegação de que existam “6 níveis de autismo”.
A classificação médica internacional reconhece apenas três níveis de gravidade, conforme o DSM-5. Não há qualquer base científica para a expressão utilizada.
O Verifica.ao reforça a importância de verificar informações relacionadas à saúde e diagnósticos médicos antes de partilhá-las.
Continuamos a trabalhar para combater a desinformação e garantir que os cidadãos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.
Fique atento ao Verifica.ao. Informação verificada promove conhecimento e respeito.
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