Casa Artigos Delma Monteiro “não existe nada na lei angolana que diz que a comunicação social deve garantir serviços mínimos durante uma greve”
ArtigosSociedade

Delma Monteiro “não existe nada na lei angolana que diz que a comunicação social deve garantir serviços mínimos durante uma greve”

Compartilhar
Compartilhar

Recentemente a activista Delma Monteiro, durante o evento “Dia D”, organizado pela plataforma GOZ’A’QUI, afirmou que “na lei angolana não há nada que diga que, em tempos de greve, a comunicação social deve garantir serviços mínimos”.

A activista acrescentou ainda que “serviços mínimos são apenas para sectores como saúde, transportes, polícia e outras áreas que salvaguardam o direito à vida — e não para o jornalismo”, concluindo que, por esse motivo, a suspensão da greve dos jornalistas pelo Tribunal de Luanda teria sido ilegal.

A equipa do Verifica.ao analisou a legislação e constatou que a afirmação é VERDADEIRA, MAS COM RESSALVAS.

O que diz a Constituição de Angola

A Constituição da República de Angola (CRA), no Artigo 51.º, reconhece o direito à greve, estabelecendo que:

“A lei regula o exercício do direito à greve e estabelece as suas limitações nos serviços e actividades considerados essenciais e inadiáveis para acorrer à satisfação de necessidades sociais impreteríveis.”

Isto significa que a Constituição admite restrições ao direito à greve, quando estão em causa serviços essenciais ou actividades cuja interrupção possa afetar necessidades sociais fundamentais.

Além disso, a Constituição também garante o direito à liberdade de expressão e de informação (Artigo 40.º), reconhecendo que “todos têm o direito de informar, de se informar e de ser informados”.

Dessa forma, a comunicação social desempenha um papel essencial na concretização desse direito, o que, em certas interpretações legais e judiciais, pode colocá-la no âmbito de serviços considerados essenciais.

O que dizem outras leis e regulamentos

  • Lei da Imprensa (Lei n.º 1/17, de 23 de Janeiro)
    Esta lei reconhece o papel da comunicação social como serviço público, determinando que o Estado deve garantir que os cidadãos tenham acesso à informação e que os órgãos de comunicação têm responsabilidade social no cumprimento desse dever.

  • Lei da Requisição Civil (aprovada em 2020)
    Esta norma permite ao Executivo requisitar serviços mínimos durante períodos de greve em sectores considerados essenciais para o interesse público. Embora não cite explicitamente a comunicação social, a lei pode ser interpretada para abranger situações em que a informação é considerada um serviço essencial à sociedade.

Conclusão: verdadeira, mas com ressalvas

É verdade que não existe, actualmente, uma disposição legal que determine expressamente que a comunicação social deve assegurar serviços mínimos durante uma greve.

Contudo, há enquadramentos constitucionais e legais que permitem interpretações nesse sentido, principalmente quando está em causa o direito à informação pública e o interesse nacional.

Assim, a declaração da activista Delma Monteiro está essencialmente correcta, mas incompleta, pois ignora as bases constitucionais e regulatórias que podem justificar, em determinadas circunstâncias, a imposição de serviços mínimos no sector da comunicação social — sobretudo em órgãos públicos.

Veredito: ✅ VERDADEIRA, MAS COM RESSALVAS

O Verifica.ao reforça o seu compromisso em combater a desinformação e promover a literacia cívica e jurídica.

Antes de partilhar qualquer informação, confirme sempre as fontes e acompanhe o Verifica.ao — estamos aqui para garantir que todos tenham acesso a informação precisa, fiável e verificada.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos Relacionados
ArtigosPolíticaSociedade

Cidadãos do Moxico obrigados a ter cartão do MPLA para obter Bilhete de Identidade

Durante as 13.ª Jornadas Parlamentares da UNITA, o deputado Jeremias Mahula afirmou,...

ArtigosSaúdeSociedade

MINSA anuncia campanha massiva de testagem de VIH/SIDA em Angola

Circula nas redes sociais e em vários grupos do WhatsApp uma imagem...

ArtigosInternacionalPolíticaSociedade

Concurso para a tecnologia das eleições de 2012 em Angola durou apenas dois dias

Depois de a Comissão Nacional Eleitoral de Angola anunciar que a empresa...

ArtigosInternacionalPolíticaSociedade

Embaixador de Angola nos EUA ameaça funcionários e mantém salários em atraso

Circulou nas redes sociais e em vários grupos do WhatsApp a alegação...