O engenheiro Aristides Cardoso Frederico Safeca, citado numa publicação do portal Club-K sobre o projecto político PIN – Partido de Inclusão Nacional de Angola, veio a público contestar algumas das informações divulgadas sobre a sua pessoa e solicitar uma retratação pública ao referido órgão de comunicação.
A manifestação surge na sequência da notícia publicada pelo Club-K, intitulada “Novo partido conotado a generais do regime”, que associava o projecto político a antigos generais angolanos e mencionava Safeca no contexto de uma alegada ligação ao general Leopoldino do Nascimento, “Dino”.
O Verifica.ao teve acesso ao esclarecimento apresentado em nome do engenheiro e analisou as alegações especificamente relacionadas com a sua pessoa.
O que dizia a publicação do Club-K?
Na notícia inicialmente publicada, o Club-K referia que existiriam ligações directas ou indirectas entre Morato de Oliveira Custódio e o general Leopoldino do Nascimento, acrescentando que essas ligações seriam reforçadas pela relação com a empresa LISA Pulsaris Electrónica, S.A.
A publicação identificava Aristides Cardoso Frederico Safeca como sócio da empresa e descrevia-o como “antigo colaborador de Dino em matérias relacionadas com a UNITEL”.
Foi precisamente esta afirmação que Safeca veio contestar.
Safeca confirma ser accionista, mas nega qualquer ligação a “Dino”
No documento de esclarecimento, apresentado pelo seu mandatário, Aristides Safeca confirma que é accionista da LISA Pulsaris Electrónica, S.A.
Contudo, contesta a informação de que Morato Custódio seja seu sócio na empresa, esclarecendo que este exerce funções como quadro de direcção da sociedade.
Mais importante, Safeca rejeita categoricamente a alegação de que a sua participação na empresa tenha qualquer relação com uma suposta ligação política ao general Leopoldino do Nascimento.
Segundo o esclarecimento, Safeca afirma nunca ter sido colaborador do general “Dino”, nem de qualquer outra pessoa, em assuntos relacionados com a UNITEL ou noutras áreas.
O engenheiro afirma igualmente que nunca exerceu funções na UNITEL e nunca manteve uma relação profissional com aquela empresa ou com o general Leopoldino do Nascimento.
Alegação sobre a UNITEL é contestada
A afirmação sobre uma alegada colaboração de Safeca com “Dino” em matérias relacionadas com a UNITEL é, portanto, o principal ponto contestado no esclarecimento.
O próprio Safeca considera essa informação falsa e sem suporte factual, sustentando que a sua participação societária na LISA Pulsaris Electrónica, S.A. não permite estabelecer uma ligação política ou profissional com o antigo general.
O documento acrescenta que as eventuais posições ou preferências políticas de outros accionistas, funcionários ou quadros da empresa não permitem inferir automaticamente o posicionamento político de Safeca.
Safeca pede retratação pública
Na sequência das alegações, o mandatário do engenheiro solicita ao Club-K uma retratação pública, com a correcção da informação divulgada.
O pedido é justificado com base na alegada afectação do bom nome, honra e reputação socioprofissional do seu constituinte.
O documento defende ainda que a correcção permitiria resolver a situação de forma compatível com os princípios da responsabilidade jornalística e com o direito dos cidadãos à protecção da sua reputação.
Uma correcção importante à verificação anterior
A publicação anterior do Verifica.ao classificou como falsa a alegação central de que o PIN estaria ligado a antigos generais e destacou que Morato Custódio havia negado essa ligação.
O novo esclarecimento de Aristides Safeca acrescenta, entretanto, um elemento relevante sobre uma das justificações utilizadas na notícia original para estabelecer essa suposta ligação.
Safeca nega expressamente ter sido colaborador de “Dino” e afirma que nunca trabalhou na UNITEL. Assim, a alegação específica de que ele seria “antigo colaborador de Dino em matérias relacionadas com a UNITEL” encontra-se formalmente contestada pelo próprio visado.
E quanto à alegada ligação do PIN aos generais?
O esclarecimento de Safeca não constitui, por si só, prova definitiva sobre a existência ou inexistência de qualquer ligação entre o PIN e antigos generais.
Contudo, ele enfraquece uma das associações apresentadas na publicação original para sustentar essa narrativa.
Na verificação anteriormente realizada pelo Verifica.ao, Morato Custódio também havia negado que o PIN fosse uma estrutura criada ou controlada por antigos generais e rejeitado ser “testa de ferro” dessas figuras.
Até ao momento, com base nos elementos apresentados ao Verifica.ao, não foram disponibilizadas provas documentais que demonstrem que o PIN tenha sido criado, financiado ou esteja sob controlo de antigos generais angolanos.
A afirmação de que Aristides Cardoso Frederico Safeca foi colaborador do general Leopoldino do Nascimento em matérias relacionadas com a UNITEL é contestada pelo próprio Safeca, que nega ter trabalhado para “Dino”, ter exercido funções na UNITEL ou ter mantido qualquer relação profissional com ambos.
O engenheiro confirma ser accionista da LISA Pulsaris Electrónica, S.A., mas rejeita que essa participação constitua fundamento para estabelecer uma ligação política ou profissional ao antigo general.
Porque é importante fazer esta distinção?
Em temas políticos, sobretudo com a aproximação das eleições gerais de 2027, associações entre pessoas, empresas, antigos dirigentes e projectos políticos podem ter impacto significativo na percepção pública.
Uma relação societária ou profissional, por si só, não prova uma relação política, tal como a existência de uma associação empresarial não demonstra automaticamente que determinada pessoa esteja a agir em nome de outra.
O trabalho de verificação de factos exige precisamente essa distinção: separar aquilo que está documentado daquilo que é alegado, interpretado ou especulado.
O Verifica.ao continuará a acompanhar este caso e outras informações relacionadas com o surgimento de novos projectos políticos em Angola, procurando apresentar aos cidadãos os factos disponíveis e assinalar claramente quando uma alegação não está comprovada.
Fique atento ao Verifica.ao. A nossa missão é combater a desinformação e contribuir para que os cidadãos tenham acesso a informação precisa, confiável e verificada.
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