A desinformação em Angola tem-se concentrado maioritariamente nos sectores da política e governação, da economia e sistema financeiro e da saúde pública, sendo disseminada, em grande parte, através das redes sociais, com destaque para WhatsApp e Facebook.
A conclusão resulta de uma análise interna realizada pelo Verifica.ao, como a primeira plataforma angolana dedicada à verificação de factos (fact-checking), com base em dezenas de conteúdos verificados de Janeiro a Dezembro de 2025.
O levantamento, de carácter qualitativo e estatístico, teve como base alegações que circularam amplamente no espaço digital angolano e que exigiram verificação factual, permitindo identificar padrões recorrentes, fontes de origem e temas mais vulneráveis à desinformação.
Política lidera os casos de desinformação
De acordo com a análise do Verifica.ao, cerca de 40 a 45% dos conteúdos falsos ou enganosos verificados estão ligados à vida política e à governação, incluindo:
- Alegadas exonerações e demissões de governantes;
- Supostos conflitos internos em partidos políticos;
- Encontros diplomáticos não confirmados;
- Narrativas de bastidores associadas a congressos partidários;
- Instrumentalização política de processos judiciais.
Este tipo de desinformação intesificou-se em períodos de maior tensão política, como congressos partidários, processos eleitorais ou reconfigurações institucionais, explorando a ausência de comunicação oficial imediata e a elevada sensibilidade do tema.
Economia e banca entre os alvos frequentes
O sector económico representa aproximadamente 20 a 25% dos casos analisados. As alegações mais recorrentes envolvem:
- Supostas aquisições de bancos por empresários;
- Alegada entrega de activos estratégicos do Estado;
- Rumores sobre privatizações feitas “em segredo”; Insinuações de corrupção sem prova documental.
Pelo que pudemos notar, a complexidade dos processos financeiros e a baixa literacia económica facilitam a circulação de informações falsas ou incompletas, muitas vezes apresentadas como factos consumados.
Saúde pública e mensagens alarmistas
Cerca de 15% da desinformação analisada está relacionada com a saúde pública, sobretudo com o coronavírus. Mensagens alarmistas, frequentemente atribuídas falsamente ao Ministério da Saúde, circularam em grupos de WhatsApp, alertando para alegadas novas variantes “mortais” ou impondo recomendações não oficiais.
Em vários casos, tratava-se de textos antigos reciclados, adaptados ao contexto nacional, sem qualquer validação científica ou institucional.
Segurança e imagens fora de contexto
Outro foco identificado envolve a segurança pública e forças armadas, com cerca de 10% dos casos. Vídeos gravados noutros países africanos — como Moçambique, Malawi ou República Democrática do Congo — foram falsamente apresentados como se tivessem ocorrido em Angola.
A análise forense dos conteúdos revelou diferenças linguísticas, fardamento e contexto operacional incompatíveis com as forças angolanas.
Crescimento de fraudes com uso de Inteligência Artificial
Embora ainda representem uma percentagem menor (entre 5 e 8%), os casos envolvendo deepfakes e conteúdos gerados por Inteligência Artificial estão em crescimento. Vídeos falsos de figuras públicas a promover plataformas fraudulentas de “ganhos fáceis” já resultaram em burlas financeiras a vários cidadãos.
Redes sociais são o principal canal de disseminação
A investigação do Verifica.ao indica que mais de 70% da desinformação tem origem ou ganha grande alcance através de WhatsApp e Facebook, muitas vezes a partir de:
- Páginas sem identificação editorial;
- Plataformas pseudo-noticiosas;
- Conteúdos sem autoria ou fonte verificável.Cerca de 15 a 20% dos casos resultam do reaproveitamento de conteúdos estrangeiros, enquanto aproximadamente 10% têm origem em sites locais que misturam opinião com factos não comprovados.
Padrões recorrentes identificados
Entre os principais padrões da desinformação em Angola destacam-se:
- Títulos categóricos sem prova
- Uso excessivo de emoção (medo, choque, indignação);
- Falsos comunicados oficiais;
- Apropriação indevida de marcas e identidades visuais;
- Confusão entre opinião, suposição e facto verificável.
Conclusão
A análise do Verifica.ao demonstra que a desinformação em Angola não é aleatória, mas concentra-se em temas sensíveis com elevado impacto social, político e económico. O fenómeno é amplificado pela rapidez das redes sociais e pela ausência de verificação prévia antes da partilha.
O Verifica.ao apela aos cidadãos para que confirmem sempre a informação junto de fontes oficiais e plataformas de verificação antes de partilhar conteúdos sensíveis.
Fique atento ao Verifica.ao.
Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que todos tenham acesso a informação precisa, fiável e verificada.
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