Na sequência do assalto registado na manhã de quarta-feira (08) a uma agência do Banco BAI, localizada na Cidadela Desportiva, em Luanda, começaram a circular nas redes sociais e em vários grupos do WhatsApp fotografias que alegadamente mostram os presumíveis autores do crime.

As imagens foram amplamente partilhadas por internautas que apelavam à rápida intervenção da Polícia Nacional, apresentando os indivíduos retratados como os responsáveis pelo assalto.
Mas será que essas fotografias correspondem aos verdadeiros suspeitos?
A equipa do Verifica.ao investigou e concluiu que a informação é falsa.
O que apurou o Verifica.ao?
A investigação da nossa redação concluiu que as imagens que circulam nas redes sociais não correspondem a fotografias autênticas dos suspeitos, tendo sido geradas ou manipuladas com recurso à Inteligência Artificial (IA).
Para verificar a autenticidade das imagens, o Verifica.ao submeteu-as a diferentes ferramentas especializadas na deteção de conteúdos produzidos por IA.
Os resultados apontaram no mesmo sentido:
- InVID identificou cerca de 85% de probabilidade de as imagens apresentarem troca de rosto (face swap) ou recriação facial por Inteligência Artificial;
- Deepware, plataforma especializada na deteção de deepfakes, classificou o conteúdo como suspeito de manipulação;
- A análise realizada através do SynthID, tecnologia desenvolvida para identificar marcas invisíveis inseridas por modelos de IA da Google, também detetou fortes indícios de que a maior parte ou a totalidade das imagens foi gerada ou editada com ferramentas de Inteligência Artificial.

A convergência dos resultados reforça que as fotografias não podem ser consideradas autênticas.
A Polícia Nacional divulgou imagens dos suspeitos?
Não.
Até ao momento da publicação desta verificação, a Polícia Nacional não divulgou qualquer fotografia oficial dos presumíveis autores do assalto.
Em declarações ao jornal O País, o porta-voz da Polícia Nacional em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, confirmou apenas que decorrem diligências para localizar e deter quatro homens suspeitos do assalto.
Segundo a informação prestada pelas autoridades, os indivíduos entraram na agência bancária por volta das 11h15, transportando-se em duas motorizadas e empunhando quatro pistolas.
As investigações continuam em curso e as autoridades ainda não tornaram públicas imagens ou identidades dos suspeitos.
Porque é perigoso partilhar este tipo de imagens?
A divulgação de fotografias falsas associadas a crimes constitui uma forma grave de desinformação.
Além de dificultar o trabalho das autoridades, este tipo de conteúdo pode atribuir falsamente crimes a pessoas inocentes, prejudicar investigações policiais em curso, alimentar rumores e especulações e aumentar a propagação de conteúdos manipulados com Inteligência Artificial.
Nos últimos meses, tem-se registado um aumento significativo da utilização de ferramentas de IA para criar rostos altamente realistas, muitas vezes utilizados para fabricar falsas provas, identificar alegados criminosos ou atribuir declarações e comportamentos inexistentes a figuras públicas.
Por isso, é fundamental que os cidadãos aguardem sempre informações provenientes das autoridades competentes e dos canais oficiais antes de partilharem imagens relacionadas com investigações criminais.
Veredicto
FALSO
É falso que as fotografias partilhadas nas redes sociais mostrem os autores do assalto à agência do Banco BAI da Cidadela.
A investigação do Verifica.ao concluiu que as imagens foram geradas ou manipuladas com recurso à Inteligência Artificial e não foram divulgadas pela Polícia Nacional. Até ao momento, as autoridades apenas confirmaram que decorrem diligências para localizar quatro suspeitos, sem revelar fotografias ou qualquer outro elemento de identificação pública.
Fique atento ao Verifica.ao
Casos de grande impacto público são frequentemente acompanhados pela circulação de imagens falsas, vídeos manipulados e informações sem confirmação oficial. O Verifica.ao continuará a monitorizar estes conteúdos para ajudar os cidadãos a distinguir factos de rumores. Antes de acreditar ou partilhar qualquer publicação, confirme sempre a sua origem e procure fontes credíveis. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que todos tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.
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