Circula nas redes sociais e em grupos do WhatsApp uma imagem atribuída à plataforma informativa XAA, com o título “Luanda poderá transformar água do mar para o consumo humano até o mês de março”. A forma como o conteúdo tem sido partilhado leva a crer que se trata de uma notícia recente e que o projecto estaria prestes a ser implementado, num prazo de cerca de um mês.

A publicação gerou forte repercussão entre internautas, com reacções que questionam a viabilidade do projecto e classificam o anúncio como mais uma promessa governamental irrealista.
O que foi verificado
A equipa do Verifica.ao apurou que o conteúdo é enganoso, não por ser totalmente falso, mas por estar a ser retirado do seu contexto temporal original e apresentado como se fosse actual.
A notícia em causa foi originalmente publicada no dia 26 de Janeiro de 2022, ou seja, há cerca de quatro anos, e voltou a circular agora nas redes sociais sem qualquer indicação de data, o que pode tem induzido o público em erro.
O que dizia a notícia original
À data da publicação original, a informação dava conta de que o então Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente (MCTA) e o Governo Provincial de Luanda (GPL) haviam assinado um memorando de entendimento para a implementação de uma Estratégia Nacional de Educação Ambiental.
Entre as intenções anunciadas estava a possibilidade de instalar unidades de dessalinização — processo químico de remoção do sal e de outros minerais da água do mar — com o objectivo de permitir o seu uso para consumo humano, prevendo-se, à época, a concretização do projecto até março daquele ano.
O então ministro Filipe Zau referiu igualmente que a dessalinização da água do mar, aliada à reciclagem de plásticos para produção de combustível de baixo custo, poderia impulsionar o turismo, a empregabilidade e a diversificação da economia nacional.
O que aconteceu depois
De acordo com as informações recolhidas pelo Verifica.ao, o referido projecto não chegou a ser implementado na província de Luanda e encontra-se, até ao momento, paralisado, sem anúncios oficiais recentes que indiquem a sua execução imediata.
Assim, a ideia de que Luanda poderá transformar água do mar para consumo humano já no próximo mês de março resulta de uma republicação de uma notícia antiga, sem o devido enquadramento temporal.
Conclusão
A informação é enganosa porque reutiliza uma notícia de 2022 e apresenta-a como se fosse actual, levando o público a acreditar que o projecto será implementado num prazo imediato, o que não corresponde à realidade actual conhecida.
O Verifica.ao reforça a importância de verificar datas, contexto e fontes antes de partilhar conteúdos informativos.
Continue atento ao Verifica.ao, a plataforma dedicada a combater a desinformação e a garantir que os cidadãos tenham acesso a informação precisa, confiável e verificada.
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