Recentemente, durante o programa “Dia Alegre”, da Platina FM, a médica Nádia Costa afirmou que o uso excessivo de suplementos por mulheres grávidas pode estar associado ao aumento de casos de autismo, com base em alegados estudos.
A declaração rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, levando vários internautas a solicitar a verificação da informação ao Verifica.ao.
O que apurou o Verifica.ao?
Após análise de literatura científica, revisões médicas e estudos internacionais, não existe evidência científica robusta que comprove que suplementos na gravidez causam autismo. Então, classificamos as palavras da especialista como falsas.
Pelo contrário, os dados disponíveis apontam para conclusões diferentes.
O que diz a ciência?
Suplementos como o ácido fólico são recomendados
Diversos estudos mostram que o uso de ácido fólico durante a gravidez reduz o risco de malformações congénitas e pode estar associado à redução do risco de autismo.
Evidência científica consistente
Uma outra meta-análises (conjunto de vários estudos) mostraram uma redução de cerca de 23% a 43% no risco de autismo com uso de ácido fólico.
Estudos populacionais (como na Noruega, com milhares de crianças) também apontam para menor risco em mães que suplementaram corretamente.
Conclusão científica:
Suplementos recomendados durante a gravidez não aumentam o risco de autismo — podendo até ter efeito protetor.
De onde vem a confusão?
Alguns estudos isolados levantaram hipóteses sobre níveis muito elevados de certas vitaminas (como ácido fólico e vitamina B12).
No entanto as mesmas investigações não provaram relação de causa, não foram replicados de forma consistente e podem estar influenciados por outros factores (genética, alimentação, saúde materna).
Em ciência, um estudo isolado não é suficiente para tirar conclusões definitivas.
O que realmente causa o autismo?
A comunidade científica é clara, mostrando que o principal fator do autismo é a genética.
- Herdabilidade estimada entre 60% a 90%
- Envolve múltiplos genes
Segundo ainda as pesquisas, existem Fatores adicionais (não determinantes), como idade dos pais, complicações na gravidez, prematuridade e exposição a poluentes.
Estes fatores podem influenciar, mas não são causas diretas.
Por que os casos parecem aumentar?
O aumento de diagnósticos de autismo nos últimos anos está principalmente ligado a melhor capacidade de diagnóstico, maior consciencialização da população e ampliação do conceito de “espectro do autismo”.
Não há evidência de que suplementos sejam responsáveis por esse aumento.
Conclusão
A alegação de que o uso de suplementos durante a gravidez está a causar autismo é falsa.
Não existe comprovação científica dessa relação. Há evidência de que suplementos como o ácido fólico são benéficos e o autismo tem origem predominantemente genética.
Fique atento
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