Na mais recente sessão do Parlamento Nacional — concretamente na 6.ª Reunião Plenária Ordinária da 4.ª Sessão Legislativa da V Legislatura — o deputado da UNITA pelo círculo provincial do Huambo, Monteiro Eliseu, apresentou imagens de projetos de requalificação de infraestruturas naquela cidade. Segundo o parlamentar, as intervenções exibidas não refletem o volume de investimento financeiro atribuído pelo Banco Mundial, no âmbito do Projeto SONA.
Em resposta, o Governador Provincial do Huambo, Pereira Alfredo, acusou o deputado de informação falsa, esclarecendo que o Programa de Requalificação e Recuperação das Infraestruturas Integradas do Huambo é financiado pelo Banco Mundial e tem como objetivo complementar o Programa de Recuperação da Plástica Urbana, este último suportado por fundos do Governo angolano. O governante sublinhou ainda que, apesar de ambos os programas incidirem sobre a requalificação urbana, possuem fontes de financiamento distintas e não se sobrepõem.
O governador rejeitou ainda as acusações de falta de transparência na gestão dos fundos públicos e apelou à população para procurar informação correcta e verificada. Alertou que a divulgação de dados imprecisos pode gerar confusão sobre as acções do Executivo na província.
Mas afinal, a informação divulgada pelo deputado corresponde à verdade?
A equipa do Verifica.ao investigou e concluiu que a informação é verdadeira.
O que dizem os factos verificados
1. Projeto de Requalificação e Reconversão Urbana das Cidades de Angola (SONA)
O Projeto SONA foi oficialmente lançado com o objetivo de promover a requalificação urbana em várias cidades angolanas, incluindo Huambo, Benguela e Huíla.
O Banco Mundial é uma das principais instituições financiadoras do projeto.
O orçamento inicialmente associado ao SONA ronda os 300 milhões de dólares norte-americanos, resultantes de um acordo formal entre o Governo de Angola e o Banco Mundial, visando responder aos desafios do crescimento urbano e da melhoria das infraestruturas.
Estes dados confirmam que o Huambo está incluído num programa nacional de requalificação urbana com financiamento do Banco Mundial.
2. Documentos e relatórios do Banco Mundial
Relatórios técnicos do Banco Mundial confirmam que o Projeto SONA possui financiamento formal e acompanhamento institucional.
Entre junho e julho de 2025, foram realizadas missões de supervisão e coordenação do projeto.
O SONA é implementado através do modelo Programa para Resultados (PforR), no qual o desembolso financeiro está condicionado à entrega de resultados concretos, diferenciando-se dos modelos tradicionais de financiamento.
3. Programas de requalificação urbana no Huambo
Não existe, até ao momento, indicação oficial clara de que o Programa de Requalificação e Recuperação das Infraestruturas Integradas do Huambo, conforme descrito pelo governador, seja financiado diretamente pelo Orçamento Geral do Estado, embora seja plausível que esteja enquadrado em planos nacionais ou fundos provinciais.
O que está documentalmente comprovado é que:
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o Projeto SONA tem financiamento confirmado do Banco Mundial;
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trata-se de um programa distinto, com foco em ações estruturadas de requalificação urbana.
Conclusão do Verifica.ao
Verdadeiro
A afirmação do deputado Monteiro Eliseu tem base documental e factual:
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O Projeto SONA é um programa oficial de requalificação urbana;
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O Huambo está incluído entre as cidades abrangidas;
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Existem documentos e relatórios do Banco Mundial que confirmam o financiamento internacional destinado ao projeto.
Fique atento ao Verifica.ao
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