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Polícia Nacional intercepta camião com cães que seriam vendidos para consumo de carne

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Nos últimos dias, começou a circular nas redes sociais e em grupos do WhatsApp um vídeo acompanhado da alegação de que a Polícia Nacional de Angola teria interceptado um camião carregado de cães que seriam destinados ao consumo de carne.

A publicação rapidamente gerou elevado nível de interacção nas redes sociais, com alguns internautas aplaudindo a suposta operação policial e outros a questionarem em que província de Angola teria ocorrido o caso.

No entanto, as publicações não apresentam qualquer informação concreta sobre o local, a data da alegada operação ou as autoridades envolvidas.

A equipa do Verifica.ao investigou

A equipa do Verifica.ao analisou as imagens e procurou identificar a origem do vídeo.

A investigação concluiu que o caso não aconteceu em Angola. As imagens correspondem a uma operação policial realizada em Semarang, na Indonésia, em Janeiro de 2024.

Na ocasião, a polícia indonésia interceptou um camião que transportava 226 cães, encontrados amontoados e com as patas e o focinho atados. Os animais eram transportados ilegalmente com destino à região de Solo, onde, segundo as autoridades, seriam encaminhados para abate e posterior comercialização da carne.

Cinco pessoas foram detidas na Indonésia

A operação ocorreu na noite de 6 de Janeiro de 2024, na portagem de Kalikangkung, em Semarang, na província de Java Central.

Segundo a Polícia Nacional da Indonésia, foram identificados cinco suspeitos no caso. Um deles era apontado como o comprador dos animais, enquanto os restantes estavam envolvidos no transporte dos cães.

Dos 226 cães encontrados no camião, 12 foram encontrados mortos. Os animais sobreviventes foram posteriormente encaminhados para um abrigo em Semarang.

A operação surgiu depois de denúncias de activistas de defesa dos animais às autoridades indonésias sobre o transporte de cães destinados ao comércio de carne.

O vídeo não mostra uma operação em Angola

Apesar de a gravação mostrar uma operação policial real, não há qualquer evidência de que as imagens tenham sido captadas em Angola ou envolvam efectivos da Polícia Nacional de Angola.

A identificação do local e a comparação das imagens com os registos da operação permitem concluir que o vídeo foi retirado de um acontecimento ocorrido na Indonésia e posteriormente partilhado fora do seu contexto original.

Este tipo de conteúdo pode induzir os utilizadores em erro porque apresenta imagens verdadeiras acompanhadas de uma descrição falsa.

A apreensão de produtos de origem animal no Porto de Luanda é outro caso

A circulação do vídeo ocorre num período em que as autoridades angolanas anunciaram uma operação real relacionada com produtos de origem animal.

Em 24 de Setembro de 2026, o Instituto dos Serviços de Veterinária (ISV), em coordenação com outras entidades, apreendeu quatro contentores de 40 pés contendo pele de galinha no Terminal do Porto de Luanda.

Segundo o ISV, o produto é proibido no país e os contentores pertencem às empresas SANO DIA e MAFCOM, com duas unidades para cada empresa. As cargas permanecem sob custódia das autoridades enquanto decorrem os procedimentos administrativos e sanitários previstos na legislação.

A apreensão enquadra-se nas medidas de controlo veterinário e de protecção da saúde pública, destinadas a fiscalizar a importação, circulação e comercialização de produtos de origem animal.

Contudo, esta operação não tem qualquer relação com o vídeo dos cães que está a circular nas redes sociais.

Veredicto

FALSO.

É falso que o vídeo mostre uma operação da Polícia Nacional de Angola para interceptar um camião com cães destinados ao consumo de carne.

As imagens correspondem a uma operação policial realizada em Janeiro de 2024, em Semarang, na Indonésia, onde foram resgatados 226 cães que eram transportados num camião e que, segundo as autoridades, seriam destinados ao comércio de carne. Cinco pessoas foram detidas no âmbito da operação.

Embora tenha ocorrido recentemente uma apreensão de produtos de origem animal no Porto de Luanda, envolvendo quatro contentores de pele de galinha, esse caso é distinto e não comprova a alegação associada ao vídeo.

O caso demonstra como imagens de acontecimentos reais podem ser reutilizadas para sustentar informações falsas quando são apresentadas sem data, local e contexto.

Fique atento ao Verifica.ao. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que as pessoas tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.

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