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Jovem angolano vende um dos seus órgãos genitais por 47 milhões de kwanzas

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Nos últimos dias, tem circulado nas redes sociais e em grupos do WhatsApp uma imagem acompanhada da alegação de que um cidadão angolano, natural da província do Uíge, teria vendido um dos seus testículos por 47 milhões de kwanzas.

A publicação, que se tornou viral nas redes sociais, apresenta a alegada venda do órgão genital como um facto e sugere que o jovem teria realizado o procedimento com sucesso.

A informação levou alguns internautas a manifestarem interesse em realizar o mesmo processo, com comentários como “também quero vender minhas coisas” e questionamentos sobre a possibilidade de mulheres também poderem vender órgãos.

A equipa do Verifica.ao investigou

A equipa do Verifica.ao analisou a alegação e concluiu que não existem evidências de que um cidadão no Uíge tenha vendido um testículo por 47 milhões de kwanzas.

A informação também foi verificada pelo Polígrafo África, que não encontrou qualquer evidência que confirme a ocorrência do alegado negócio.

A imagem já foi utilizada noutra alegação

Outro elemento que levanta dúvidas sobre a publicação é a própria imagem utilizada para ilustrar o suposto caso.

A mesma fotografia foi anteriormente utilizada numa publicação relacionada com um jovem moçambicano, e não com um cidadão angolano do Uíge.

A reutilização da mesma imagem para sustentar alegações diferentes demonstra que a fotografia não constitui prova de que o alegado caso tenha ocorrido em Angola.

A eNCA não publicou a suposta notícia

A publicação viral apresenta ainda elementos gráficos que procuram atribuir a informação à eNCA — eNews Channel Africa, dando a entender que se trata de uma notícia de televisão.

Contudo, a alegada notícia não foi divulgada pela eNCA.

Além disso, a estação sul-africana não transmite os seus noticiários em português, outro elemento que contraria a aparência de autenticidade apresentada na publicação.

Conteúdo criado com Inteligência Artificial

A análise realizada indica ainda que o material que acompanha a alegação foi criado ou manipulado com recurso a ferramentas de Inteligência Artificial, procurando reproduzir a aparência de uma notícia televisiva.

A utilização de elementos gráficos semelhantes aos de órgãos de comunicação social pode conferir credibilidade a uma informação falsa e dificultar a identificação da sua verdadeira origem.

Neste caso, não há registos credíveis que confirmem a existência do alegado jovem do Uíge, a realização da suposta cirurgia ou o pagamento de 47 milhões de kwanzas pela venda do órgão.

Veredicto

FALSO.

Não há evidências de que um cidadão angolano, natural do Uíge, tenha vendido um dos seus testículos por 47 milhões de kwanzas.

A imagem utilizada na publicação já foi associada a outra alegação, a suposta notícia não foi transmitida pela eNCA e os elementos que procuram conferir aparência jornalística ao conteúdo foram produzidos com recurso a Inteligência Artificial.

O caso demonstra a importância de verificar a origem das imagens e confirmar se uma suposta notícia foi realmente publicada pelo órgão de comunicação social ao qual é atribuída antes de a partilhar.

Fique atento ao Verifica.ao. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que as pessoas tenham acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.

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