Nos últimos dias, começou a circular nas redes sociais uma informação segundo a qual um novo projecto político, denominado PIN – Partido de Inclusão Nacional de Angola, estaria a ser estruturado com o objectivo de servir de plataforma para a reorganização de antigos generais angolanos e eventual participação nas eleições gerais de 2027.
A informação, inicialmente divulgada pelo portal Club-K, sugere que o projecto teria como principal rosto o jovem empreendedor Morato de Oliveira Custódio, que estaria a preparar a estrutura partidária para, posteriormente, ser entregue a antigos generais ligados ao período do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.
Perante a circulação da alegação, a equipa do Verifica.ao procurou confirmar se existem, de facto, ligações entre o PIN e antigos generais do regime.
A nossa equipa investigou e concluiu que a informação é falsa.
PIN existe, mas não há confirmação de ligação a generais
Em entrevista ao Verifica.ao, Morato de Oliveira Custódio confirmou que faz parte do projecto político PIN, como pode ver-se através de publicações no seu perfil do Instagram, mas rejeitou categoricamente a alegação de que a iniciativa esteja a ser estruturada ou controlada por antigos generais angolanos.
Custódio também negou ser um alegado “testa de ferro” de figuras ligadas ao antigo regime, como sugere a publicação que circula nas plataformas digitais.
Segundo o responsável, não existe a presença de generais no PIN, contrariando directamente a narrativa apresentada na publicação viral.
Desta forma, a alegação de que o projecto estaria a ser criado para permitir que antigos generais se reorganizassem politicamente e concorressem às eleições de 2027 não encontra confirmação nas informações obtidas pelo Verifica.ao.
O que dizia a publicação?
A informação atribuída ao Club-K apresenta o PIN como um projecto ainda numa fase inicial e especulava sobre a possibilidade de antigos generais ligados ao período de José Eduardo dos Santos assumirem posteriormente o controlo da estrutura.
A publicação apresentava ainda Morato Custódio como o principal impulsionador inicial do projecto, sugerindo que este poderia posteriormente “ceder” a estrutura a essas figuras.
Contudo, essa alegação não foi acompanhada de documentos, declarações dos alegados generais ou outras provas que demonstrassem a existência dessa ligação.
Uma alegação política não deve ser tratada como facto sem provas
A possibilidade de um novo partido ou movimento político participar nas eleições de 2027 é, por si só, uma questão legítima de interesse público.
No entanto, afirmar que determinada organização política é controlada, financiada ou criada para servir de veículo a determinados grupos exige evidências verificáveis.
No caso analisado pelo Verifica.ao, a principal pessoa identificada na própria publicação como impulsionadora do projecto negou expressamente a existência dessa estrutura envolvendo antigos generais.
Até ao momento, não foram apresentados elementos públicos que comprovem a narrativa de que o PIN esteja a ser utilizado como instrumento de reorganização política de antigos generais.
A importância de distinguir facto de especulação
A aproximação das eleições gerais de 2027 deverá naturalmente aumentar o volume de informações, análises e especulações sobre possíveis candidatos, partidos e alianças políticas.
Contudo, uma previsão ou interpretação política não deve ser apresentada como facto consumado.
No caso desta publicação, a existência do projecto político PIN foi confirmada pelo seu próprio integrante, mas a alegada ligação aos antigos generais não foi comprovada.
Essa distinção é fundamental para evitar que informações especulativas sejam reproduzidas nas redes sociais como se fossem acontecimentos confirmados.
Veredito do Verifica.ao
FALSO
É falsa a alegação de que o PIN – Partido de Inclusão Nacional de Angola esteja ligado ou seja uma estrutura criada para servir de plataforma a antigos generais angolanos, conforme divulgado na publicação que circula nas redes sociais.
Morato de Oliveira Custódio confirmou ao Verifica.ao que integra o projecto, mas negou que seja “testa de ferro” de antigos generais e rejeitou a existência de generais no PIN.
Além disso, não foram apresentadas provas que sustentem a alegação de que o projecto esteja a ser preparado para ser posteriormente entregue a figuras ligadas ao antigo regime.
Fique atento ao Verifica.ao
Em períodos de intensa disputa política, informações não confirmadas podem espalhar-se rapidamente e influenciar a percepção dos cidadãos sobre partidos, candidatos e instituições.
O Verifica.ao continuará a acompanhar estas informações e a verificar alegações de interesse público, com o compromisso de combater a desinformação e garantir que os cidadãos tenham acesso a informação precisa, confiável e verificada.
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