Nos últimos dias, circulou nas redes sociais e em várias plataformas digitais a informação de que o Botswana estaria prestes a adquirir 30% da Refinaria do Lobito, num negócio avaliado em mais de 6,6 mil milhões de dólares. A alegação foi também amplamente partilhada por figuras públicas, gerando dúvidas entre os internautas.
Perante a repercussão, leitores solicitaram ao Verifica.ao a checagem da informação.
O que apurou o Verifica.ao?
A alegação não é totalmente falsa, mas está fora de contexto e induz em erro.
De acordo com declarações oficiais da Sonangol, feitas pelo Director-Executivo da Divisão de Refinação, Joaquim Kiteculo, não existe qualquer comunicação formal do Botswana manifestando interesse na aquisição de 30% da Refinaria do Lobito.
Ou seja, não há confirmação oficial de qualquer negociação em curso ou acordo estabelecido.
De onde surgiu a informação?
A origem da alegação remonta a declarações feitas pela ministra da Energia do Botswana, Bogolo Joy Kenewendo, durante uma intervenção parlamentar. Na ocasião, a governante afirmou que o país foi convidado e estaria a ponderar a possibilidade de adquirir uma participação de até 30% na refinaria.
Importa destacar que trata-se de uma intenção ou hipótese, não de um acordo fechado e não há evidência de que o processo tenha evoluído para negociações formais.
Por que a informação é enganosa?
A classificação como enganosa deve-se ao facto de a alegação basear-se num elemento real (declarações sobre possível interesse), mas apresentar essa possibilidade como se fosse um negócio já concluído ou confirmado. Foi omitido que não há comunicação oficial nem acordo entre as partes.
Conclusão
Não há confirmação de que o Botswana vá comprar 30% da Refinaria do Lobito. O que existe são declarações sobre uma eventual intenção, ainda sem formalização. Portanto, afirmar que o negócio está fechado ou em curso é enganoso e não corresponde aos factos verificados.
Fique atento
O Verifica.ao alerta para a crescente circulação de conteúdos que misturam factos reais com interpretações distorcidas, criando narrativas enganosas.
Antes de partilhar qualquer informação, confirme sempre em fontes credíveis.
O Verifica.ao continua comprometido em combater a desinformação e garantir que os cidadãos tenham acesso a informação precisa, confiável e verificada.
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