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Verifica.ao explica: Fake News sobre a missão Artemis II viralizam nas redes sociais e grupos de mensagens (Parte II)

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A missão Artemis II, da agência espacial americana (Nasa), reacendeu, entre teóricos da conspiração, a narrativa de que a chegada do homem à Lua nunca ocorreu e de que a atual viagem também seria encenação. Nas redes sociais e em grupos públicos de aplicativos, publicações colocam em xeque a autenticidade das imagens divulgadas pela agência, questionando desde a qualidade dos registros até supostas inconsistências visuais. 

As mensagens conspiratórias sugerem, por exemplo, que, com a evolução da inteligência artificial (IA), seria “ainda mais fácil forjar” imagens em alta definição divulgadas pela Nasa. Outros conteúdos demonstram ceticismo em relação à missão Artemis II ao afirmar que, em programas anteriores, não houve testes para o envio de tripulação à Lua – o que é falso.

As publicações também misturam teorias conspiratórias sem provas com mensagens apocalípticas para afirmar que a Nasa teria o objetivo de “carimbar a narrativa” para abafar eventos reais na Terra.

A missão Artemis II decolou em 1º de abril do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, Estados Unidos. Na segunda-feira (6), a nave Orion realizou com sucesso o sobrevoo lunar, algo inédito desde a missão Apollo 17, em 1972. Os quatro astronautas da tripulação — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen — tornaram-se os primeiros seres humanos a ver o “lado oculto” da Lua.

Mostramos agora a segunda parte das principais narrativas que circularam nas redes sociais:

Imagens da Lua

Usuários também questionam a credibilidade das imagens da Lua feitas pela missão, apontando supostas falhas técnicas, indícios de edição e o uso de “cores falsas” nas fotografias. Ao contrário do que afirma algumas das publicações, as imagens são reais e publicadas com seus metadados no site oficial da Nasa. 

Publicação no X disseminada por perfil com mais de 10 mil seguidores. Foto: MeltWater/Reprodução
Publicação no X disseminada por perfil com mais de 10 mil seguidores. Foto: MeltWater/Reprodução

Imagens da lua com tons coloridos, diferente da cor cinza presente na maioria das fotos, também passaram a circular com desinformação. Legendas enganosas indicam que a “Nasa descobriu recentemente que a Lua é colorida”. As cores, no entanto, resultam do aumento da saturação na imagem para destacar os minerais presentes na superfície lunar.

Publicação no X disseminada por perfil com mais de 33 mil seguidores. Foto: MeltWater/Reprodução
Publicação no X disseminada por perfil com mais de 33 mil seguidores. Foto: MeltWater/Reprodução

Uma das imagens em circulação foi publicada à princípio no Instagram em agosto de 2025 pelo astrofotógrafo Ibatullin Ildar. Na publicação, ele explica que, durante o processamento, aumentou intencionalmente a saturação da Lua para revelar a composição mineral de sua superfície. “Os tons marrom-avermelhados indicam óxido de ferro, enquanto os tons azuis representam óxido de titânio”, afirmou.

Antes disso, a Nasa publicou, em 1992, uma imagem em cores falsas composta por 15 fotografias da Lua, captadas por meio de três filtros de cor pelo sistema de imagem de estado sólido da sonda Galileo. Segundo a agência, o processamento de cores falsas usado para criar a imagem lunar teve o objetivo de facilitar a interpretação da composição do solo superficial.

“As áreas que aparecem em vermelho geralmente correspondem às terras altas lunares, enquanto os tons de azul a laranja indicam o antigo fluxo de lava vulcânica de um mar lunar. As áreas mais azuis dos mares lunares contêm mais titânio do que as regiões alaranjadas”, explica a Nasa.

Ou seja, a imagem destaca os diferentes tipos de minerais presentes na superfície lunar, a partir do aumento da saturação das cores para evidenciar os contrastes geológicos.

Publicações no Facebook afirmam ainda que as imagens da Lua colorida foram registradas pela Artemis II. Na galeria oficial da Nasa não há, contudo, qualquer imagem similar publicada até a tarde de quarta-feira (8).

Publicação no Facebook e Instagram afirma que a missão Artemis II ‘descobriu’ que a Lua é colorida, o que é falso. Foto: Reprodução
Publicação no Facebook e Instagram afirma que a missão Artemis II ‘descobriu’ que a Lua é colorida, o que é falso. Foto: Reprodução

“Falta de testes”

Conteúdos que circulam em redes sociais e aplicativos de mensagem também passaram a questionar, sem evidências, a necessidade de testes nas missões atuais, sugerindo que as viagens do passado teriam ocorrido sem etapas preparatórias.

“Na última ida à lua no século passado conseguiram pousar sem testes. E hoje em 2026 tem que realizar testes. Receptáculos mero repetidor do sistema. Incompetente de raciocínio cognitiva. Nem um diploma pode sustentar um fracassado alienado que crê na terra esférica que por sua vez pertence ao Evolucionismo !!!”, diz trecho de post em grupo do Telegram com mais de 160 mil perfis. A afirmação, contudo, é falsa.

A Nasa realizou diversas missões entre 1967 e 1972, incluindo testes com envio de foguetes não tripulados, para viabilizar o envio de astronautas à Lua e garantir seu retorno seguro à Terra.

A missão Apollo 1, inclusive, foi marcada por uma tragédia. Em 27 de janeiro de 1967, houve um incêndio na plataforma de lançamento do Cabo Kennedy durante um teste em solo. O voo, que seria o primeiro tripulado do programa Apollo, estava previsto para 21 de fevereiro daquele ano. Os astronautas Virgil Grissom, Edward White e Roger Chaffee morreram quando o fogo consumiu o módulo de comando.

Imagens da missão Apollo 9, realizada em 1969. Foto: Nasa
Imagens da missão Apollo 9, realizada em 1969. Foto: Nasa

O objetivo da Artemis II, segundo a Nasa, além de realizar testes planejados para avaliar sistemas, procedimentos e o desempenho da espaçonave Orion, inclui observações da superfície lunar que servirão de base para futuras operações científicas na Lua. A agência afirma que a tripulação também praticará atividades críticas para a missão, “como ajustes de trajetória, comunicações a distâncias lunares e a pilotagem da Orion em fases-chave do voo, culminando em uma reentrada e pouso na água para validar ainda mais o desempenho da espaçonave com astronautas a bordo”.

“Esta missão verificará se os sistemas de suporte à vida da Orion podem sustentar astronautas em missões de maior duração no futuro e permitirá que a tripulação pratique operações essenciais para a Artemis III e missões subsequentes”, explica a Nasa.

Segundo apuração do jornal The New York Times, missões complexas, como o pouso na Lua, exigem prudência, especialmente quando há pessoas a bordo. “A tecnologia atual, especialmente os computadores, avançou muito além do que estava disponível na época do programa Apollo. Inevitavelmente, algo não funcionará exatamente como planejado, e será importante identificar e corrigir esses problemas antes de tentar um pouso”, diz o jornal.

Além disso, a Nasa ainda não conta com um módulo lunar (espécie de veículo de pouso lunar projetado para permitir que astronautas se locomovam entre uma espaçonave em órbita lunar e a superfície da Lua). Segundo a previsão da agência espacial, a primeira tripulação do Programa Artemis pousará na Lua em 2028.

Comentário no X com ceticismo sobre imagens reais da Lua. Foto: MeltWater/Reprodução
Comentário no X com ceticismo sobre imagens reais da Lua. Foto: MeltWater/Reprodução

Teorias conspiratórias

Para além das narrativas sobre supostas imagens manipuladas, a missão Artemis II também tem sido alvo de conspirações que associam elementos simbólicos e coincidências a significados ocultos. Publicações nas redes sugerem, por exemplo, que o lançamento em 1º de abril (conhecido como Dia da Mentira) seria uma espécie de “assinatura” irônica do sistema, que revelaria a “verdade” por meio de deboche.

Outras leituras afirmam que a escolha do nome “Artemis”, referência à deusa da mitologia grega, representaria uma ativação de arquétipos pagãos em oposição ao cristianismo. Além disso, conteúdos destacam uma suposta recorrência do número “33” em dados técnicos da missão — como valores de empuxo ou distâncias — interpretada como indício de significados ocultos, embora essas associações não tenham base factual.

Mensagem que circula em grupo do Telegram com mais de 169 mil perfis. Foto: OpenMeasure/Reprodução
Mensagem que circula em grupo do Telegram com mais de 169 mil perfis. Foto: OpenMeasure/Reprodução
Mensagem que circula em grupo do Telegram com mais de 160 mil perfis. Foto: OpenMeasure/Reprodução
Mensagem que circula em grupo do Telegram com mais de 160 mil perfis. Foto: OpenMeasure/Reprodução

As narrativas remontam teses de que o homem nunca pisou à Lua — e que, mesmo com os avanços tecnológicos, as missões Artemis tampouco conseguirão esse feito. Entretanto, as teorias continuam sem base factual.

As mensagens analisadas pela Lupa afirmam, por exemplo, que não há estrelas nas fotos da missão da Nasa à Lua, assim como os atuais registros da Artemis II, e que, portanto, as imagens foram fabricadas em estúdio. Segundo especialistas ouvidos pela Royal Museums Greenwich, isso é falso. 

“Tanto os astronautas quanto a própria paisagem lunar são intensamente iluminados pelo Sol. O céu pode parecer escuro, mas lembre-se, na verdade é dia na Lua. Se você for fotografar uma cena muito iluminada, a velocidade do obturador da sua câmera precisa ser rápida e a abertura extremamente pequena. Nessa situação, objetos tênues como estrelas simplesmente não aparecerão”.

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