O registro de novos casos de infecção pelo vírus Nipah na Índia tem gerado preocupação nas redes sociais e grupos de WhatsApp em Angola sobre um novo surto de escala global. Posts com teor conspiratório têm especulado sobre o surgimento de uma nova pandemia, apesar de, até o momento, os casos estarem concentrados apenas em uma região específica do país asiático.

O Nipah não é um vírus novo: os primeiros casos de infecção foram registrados ainda na década de 1990, e surtos esporádicos já ocorreram em países como Índia, Malásia, Filipinas e Singapura.
O que acendeu o alerta das autoridades nas últimas semanas foi a confirmação de cinco casos em uma região da Índia que não registrava infecções desde 2007. Por precaução, cerca de cem pessoas que circularam na mesma unidade de saúde foram colocadas em quarentena.
Apesar de a infecção constar na lista de doenças monitoradas atualmente pela OMS (Organização Mundial da Saúde), especialistas apontam que não há risco evidente de um novo surto global, similar ao que ocorreu com a Covid-19.
1. O que é o vírus Nipah e onde estão concentrados os casos?
O Nipah é um vírus pertencente à família Paramyxoviridae transmitido de animais para seres humanos. Seu reservatório natural são morcegos que se alimentam de frutos, especialmente do gênero Pteropus, e eliminam o vírus pela saliva, pela urina e pelas fezes.
Segundo o médico infectologista e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) Leonardo Weissmann explica que a infecção em humanos pode ocorrer:
- pelo consumo de alimentos contaminados;
- por contato com animais infectados;
- ou via transmissão direta entre pessoas em contextos específicos, sobretudo em residências e ambientes hospitalares.
O patógeno foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia. Desde então, houve registros periódicos de casos em países do Sul e do Sudeste Asiático.
Nas últimas semanas, porém, o vírus voltou a preocupar autoridades sanitárias após a confirmação de cinco casos entre profissionais de saúde em Calcutá, na região indiana de Bengala Ocidental, que não registrava novos episódios da infecção desde 2007.
De acordo com um relatório da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido, quase todas as notificações do vírus nos últimos dez anos se concentraram no sul do país asiático. O reaparecimento de casos fora desse eixo levou autoridades a emitir novos alertas e reforçar medidas de vigilância.
Status sanitário. Até o momento, não há declaração de pandemia ou epidemia global do vírus. Especialistas consultados avaliam que seu potencial de disseminação é menor do que o de patógenos respiratórios, como o que causa a Covid-19.
Definida por autoridades indianas como “altamente fatal, mas de propagação limitada”, a infecção integra a lista de prioridades da OMS por seu potencial de causar uma emergência de saúde pública, visto que a taxa de letalidade varia entre 40% e 75%.
O Ministério da Saúde indiano informou que “ações coordenadas imediatas foram iniciadas”, incluindo apoio laboratorial, vigilância reforçada, gestão de casos, medidas de controle de infecção e mobilização de orientação especializada.
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