Casa Artigos RTP divulgou uma “fake news” sobre um suposto cessar-fogo em Cabinda?
ArtigosPolítica

RTP divulgou uma “fake news” sobre um suposto cessar-fogo em Cabinda?

Compartilhar
Compartilhar

Nesta Terça-Feira, 15 de Abril de 2025, o Governo Angolano (através do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social) emitiu um comunicado a informar de que a Rádio Televisão Portuguesa (RTP) difundiu uma “fake news” ao noticiar a existência de um cessar-fogo decretado na província de Cabinda, sugerindo um cenário de conflito inexistente. O Governo Angolano manifestou oficialmente o seu desagrado, classificando a matéria como “falsa, maliciosa e com imagens forjadas”.

Mas afinal, a RTP divulgou mesmo uma informação falsa?

A equipa do Verifica.ao analisou os conteúdos noticiosos da RTP, confrontou-os com os documentos disponíveis, e concluiu que a alegação do Governo Angolano é falsa. Explicamos porquê.

O que foi noticiado pela RTP?

A reportagem em causa foi transmitida pela RTP no Jornal da Antena 1, no dia 14 de Abril de 2025, e também publicada no seu portal digital. A matéria abordava a emissão de um comunicado oficial do autoproclamado Estado-Maior das Forças Armadas Cabindesas (FAC).

No documento – a que o Verifica.ao também teve acesso –, assinado pelo Tenente-General João Cruz Mavinga Lucifer, é anunciado um “cessar-fogo unilateral com efeito imediato e por um período de dois meses” em Cabinda. A decisão, segundo a nota, teria sido acordada com a liderança política da FLEC-FAC (Frente de Libertação do Estado de Cabinda – Forças Armadas Cabindesas).

O texto acrescenta que a medida visa “criar um clima propício para um diálogo sério com as autoridades angolanas”, reforçando a disposição do grupo separatista para uma solução pacífica.

A base da reportagem da RTP

A reportagem da RTP limita-se a reproduzir o conteúdo do comunicado divulgado pela FLEC-FAC, sem apresentar como facto a existência de um conflito activo, nem fazer afirmações adicionais que extrapolem o teor do documento original.

Não foram encontradas, na peça jornalística, imagens ou textos forjadas, como alega o Governo, nem declarações que contradigam ou distorçam o conteúdo do comunicado. A RTP citou fontes identificadas e documentadas, o que cumpre os princípios básicos do jornalismo.

Porque é a alegação é falsa?

Embora o Governo Angolano afirme que não existe conflito armado em Cabinda e classifique o conteúdo como “fake news”, também é verdade que a FLEC-FAC se posiciona publicamente como um grupo armado com pretensões separatistas, sendo objecto de cobertura jornalística nacional e internacional ao longo dos anos.

O comunicado da FLEC-FAC existe e foi publicado no mesmo dia da reportagem. Assim, é factualmente incorreto dizer que a RTP “forjou” uma notícia ou “inventou” imagens, se estas se basearam num documento emitido por uma organização que se auto-identifica como força armada e reivindica legitimidade política.

No entanto, a existência de um conflito armado activo, tal como descrito pela FLEC-FAC, não é confirmada de forma independente por fontes neutras, como organizações de direitos humanos, observadores internacionais ou jornalistas no terreno. Por esse motivo, não é possível confirmar nem refutar totalmente a versão do Governo ou da FLEC-FAC.

Conclusão

A alegação de que a RTP veiculou uma “fake news” sobre um cessar-fogo em Cabinda é falsa.

A emissora portuguesa baseou a sua reportagem num comunicado oficial da FLEC-FAC e não há evidências claras de manipulação de conteúdo ou imagens. No entanto, a existência de um conflito armado em Cabinda permanece sem confirmação independente, o que impede uma verificação definitiva.

Fica atento ao Verifica.ao. Estamos aqui para combater a desinformação e garantir que tenhas acesso a informações precisas, confiáveis e verificadas.

Se vires uma notícia duvidosa ou alegações polémicas a circular nas redes sociais, envia para nós. Juntos, promovemos uma sociedade mais bem informada.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos Relacionados
Artigos

Hitler Samussuku: “As fake news como arma política num Estado autoritário”

As fake news são, em qualquer democracia, uma ameaça à qualidade do...

ArtigosPolíticaSociedade

Navita Ngolo: “Nenhum partido deve colocar bandeira a menos de 100 metros do comité de outro partido”

Uma declaração da deputada e presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Navita...

ArtigosEconomiaSociedadeTecnologia

Africell Angola abre recrutamento para operadores de Call Center

Uma mensagem que circula nas redes sociais sobre um alegado processo de...

ArtigosNoticias

PARTE II | O que a Lei Contra as Informações Falsas exige dos cidadãos, do Estado e das plataformas digitais?

Depois de definir o que entende por informação falsa, desinformação, conteúdo manipulado,...